
Os dentes do siso, também chamados de terceiros molares, costumam aparecer no fim da arcada dentária. Em algumas pessoas, eles nascem completamente. Em outras, aparecem apenas parcialmente ou permanecem dentro do osso.
Uma dúvida comum é se todo siso precisa ser retirado. A resposta depende de avaliação odontológica. Conforme Cristina Miura, especialista em periodontia e implantodontia, o problema é que esses dentes muitas vezes não encontram espaço suficiente para nascer de forma adequada.
Com isso, podem ficar em uma posição difícil de higienizar, favorecer acúmulo de placa e aumentar o risco de inflamações, cáries e problemas no dente ao lado. “O siso pode nascer totalmente, aparecer só uma pontinha ou ficar dentro do osso. Em todos esses casos, é preciso avaliar se ele oferece risco para a saúde bucal”, explica.
A seguir, veja dúvidas comuns sobre o siso.
Quando o siso pode causar problema?
Um dos principais pontos de atenção é a higiene. Como o siso fica no fundo da boca, a escovação e o uso do fio dental podem ser mais difíceis.
Outra dúvida comum é se o siso que apareceu parcialmente ainda pode terminar de nascer. De acordo com Cristina, depois dos 18 anos, quando o dente não apareceu por completo ou deixou só uma ponta para fora, é importante procurar um dentista para avaliar a remoção.
Isso porque, quando uma parte do dente fica exposta e outra permanece dentro da cavidade bucal, a região pode acumular bactérias e favorecer infecção, inflamação gengival e cárie. Nos casos mais graves, o problema pode atingir tanto o siso quanto o dente vizinho. Além disso, a região entre o terceiro molar e o segundo molar pode sofrer perda óssea, o que compromete a estrutura ao redor dos dentes.
E quando o siso fica dentro do osso?
Mesmo quando não aparece na boca, o siso também precisa ser acompanhado. De acordo com a especialista, dentes que permanecem inclusos podem, em alguns casos, estar associados ao desenvolvimento de cistos.
Essas alterações podem crescer, infeccionar ou afetar estruturas próximas. Por isso, radiografias e avaliação clínica ajudam a decidir se é melhor acompanhar ou remover. “Às vezes, o siso fica quieto por muitos anos, mas precisa ser observado”, afirma.
Existe idade ideal para tirar o siso?
A avaliação costuma ser feita ainda na adolescência. Segundo Cristina, a partir dos 15 anos já é possível analisar se o dente tem espaço, posição adequada e chance de nascer de forma funcional.
A dentista explica que, quando há indicação de extração, o procedimento tende a ser mais simples em pacientes jovens, porque o dente ainda não está completamente formado e o osso costuma ser menos rígido.
Com o envelhecimento, pode haver perda óssea natural. Em alguns casos, a ponta de um siso que estava dentro do osso pode aparecer aos 60, 70 ou 80 anos, quando a cicatrização tende a ser mais lenta e a cirurgia pode ser mais complexa. Por isso, a recomendação é não esperar o dente causar dor para procurar avaliação.
Como é a cirurgia?
A extração do siso é uma cirurgia odontológica e deve ser planejada caso a caso. O dentista avalia a posição do dente, a relação com estruturas próximas, a presença de inflamação, a saúde geral do paciente e a necessidade de exames de imagem.
Segundo Cristina Miura, quando há bom planejamento, o pós-operatório costuma ser controlado. Ainda assim, o paciente precisa seguir as orientações de repouso, alimentação e higiene para reduzir riscos de dor, inchaço, sangramento ou infecção.
Quais cuidados tomar depois?
Nos primeiros dias, é importante evitar atividade física intensa, esforço excessivo e situações que aumentem muito o fluxo de sangue na região. Caminhadas leves costumam ser liberadas depois de alguns dias, conforme orientação do dentista.
A alimentação também exige cuidado. No primeiro dia, a periodontista orienta dar preferência a alimentos pastosos e frios ou gelados, para evitar trauma na região operada.
Alimentos duros, pontiagudos ou muito crocantes devem ser evitados no começo, porque podem machucar ou entrar no local da extração. O uso de gelo nas primeiras horas também pode ajudar no controle do inchaço, quando indicado pelo profissional.
Quando procurar o dentista?
Dor no fundo da boca, dificuldade para higienizar a região, gengiva inflamada, mau cheiro, cárie, pressão nos dentes vizinhos ou histórico de sisos inclusos são motivos para avaliação.
Também vale procurar um especialista mesmo sem sintomas, principalmente na adolescência ou no início da vida adulta, para verificar se há espaço e se o dente tem posição adequada.
A decisão de retirar ou acompanhar o siso deve ser individualizada. Segundo Cristina, o mais importante é fazer o diagnóstico antes que o dente cause danos ao osso, à gengiva ou aos dentes vizinhos.
*Informações Assessoria de Imprensa











