Medo de dentista não é coisa de criança: como a ansiedade afeta pacientes de todas as idades

medo dentista
(Foto: wavebreakmedia_micro/Magnific)

Medo de dentista não é exclusividade das crianças. Ansiedade, desconforto e insegurança também acompanham adolescentes e adultos e podem interferir na decisão de procurar atendimento, iniciar um tratamento ou manter o acompanhamento necessário. Uma pesquisa publicada em 2026 no British Journal of Clinical Psychology, conduzida por pesquisadores poloneses, reuniu dados de 19 estudos com 9.267 adultos e estimou que 18% apresentam níveis elevados de ansiedade odontológica. Já uma pesquisa global publicada em 2024 no Journal of Dentistry analisou 25 estudos e estimou que cerca de 30% das crianças entre 2 e 6 anos apresentam medo ou ansiedade relacionados ao atendimento odontológico.

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Na ortodontia, esse receio pode assumir formas diferentes ao longo da vida. Na infância, o medo costuma estar relacionado ao desconhecido: o ambiente, os instrumentos, os sons e a expectativa sobre aquilo que acontecerá durante a consulta. A forma como pais e responsáveis falam sobre o dentista também pode interferir nessa percepção, especialmente quando experiências negativas dos adultos acabam chegando à criança antes mesmo de ela viver a própria experiência.

Na adolescência, entram outras questões. A preocupação pode estar menos ligada à consulta em si e mais à aparência, à reação dos colegas, ao convívio social e às mudanças de rotina associadas ao aparelho. Alimentação, higiene e adaptação também podem ser percebidas como obstáculos antes mesmo do início do tratamento.

Já entre os adultos, o medo frequentemente vem acompanhado de experiências anteriores. Uma consulta difícil vivida anos atrás, receio de dor ou constrangimento por iniciar um tratamento mais tarde podem fazer com que o paciente adie a avaliação mesmo quando já percebe a necessidade de procurar um especialista.

Segundo Claudia Consalter, cirurgiã-dentista e sócia-fundadora da OrthoDontic, maior rede de ortodontia do país, identificar a origem dessa insegurança é parte importante do atendimento.  “Nem todo medo tem a mesma origem. Entender se aquela insegurança vem de uma experiência anterior, da expectativa de dor, da aparência ou do desconhecimento ajuda o profissional a explicar melhor o tratamento e a conduzir cada paciente de forma mais individualizada”, afirma.

 

Quando o medo começa a interferir no tratamento

A ansiedade passa a exigir atenção maior quando deixa de ser apenas uma sensação de desconforto e começa a determinar o comportamento do paciente.

Isso pode acontecer quando ele adia repetidamente uma avaliação, evita consultas, resiste ao início de um tratamento já indicado ou interrompe o acompanhamento depois de começá-lo.

Na ortodontia, essa questão ganha ainda mais importância porque o tratamento depende de regularidade. A colocação do aparelho é apenas uma etapa de um processo que exige consultas periódicas, ajustes, acompanhamento da evolução e participação ativa do paciente nos cuidados orientados pelo profissional.

Faltas frequentes ou longos intervalos entre as consultas podem interferir no planejamento e prolongar um processo que já exige continuidade.

Por isso, previsibilidade também faz parte do atendimento. Explicar antecipadamente as etapas, esclarecer dúvidas, falar de forma realista sobre possíveis desconfortos e abrir espaço para que o paciente manifeste suas preocupações ajudam a reduzir o peso do desconhecido. “Dizer apenas que o paciente não precisa ter medo nem sempre resolve. Muitas vezes, ele precisa entender o que vai acontecer. Quando explicamos cada etapa, orientamos sobre adaptação e deixamos espaço para perguntas, conseguimos construir uma relação de mais confiança e favorecer a continuidade do tratamento”, diz Claudia.

 

A experiência começa antes da consulta

É justamente nesse ponto que a OrthoDontic vem ampliando uma estratégia de aproximação com crianças e famílias que começa antes mesmo da indicação de um aparelho. A proposta é tornar a ortodontia mais presente em conversas sobre prevenção, desenvolvimento e cuidado, reduzindo a distância entre um tema técnico e a rotina das pessoas.

A parceria com a Turma da Mônica entra como parte dessa estratégia. Mais do que uma ação de comunicação, ela funciona como uma ponte com diferentes gerações: crianças que reconhecem os personagens e pais e responsáveis que cresceram acompanhando essas histórias.

Nas clínicas, essa aproximação se traduz em ambientação voltada ao público infantil, materiais de apoio, comunicação mais acessível e orientação às famílias. A rede também trabalha a preparação das equipes para lidar com diferentes níveis de medo, resistência e sensibilidade e busca tornar o atendimento mais previsível para crianças e responsáveis.

A lógica é fazer com que o acolhimento não dependa apenas da atuação individual do ortodontista, mas faça parte de toda a experiência do paciente na unidade, da chegada à clínica à explicação sobre cada etapa do atendimento.

Esse trabalho também dialoga com uma percepção importante: muitas vezes, a relação com o medo começa antes da consulta. Quanto mais distante e desconhecido parecer o universo da ortodontia, maior o espaço para que expectativas negativas sejam construídas.

“Quando pensamos em aproximação, não estamos olhando apenas para o momento em que a criança coloca o aparelho. Queremos que a família chegue à clínica entendendo melhor esse universo e encontre um ambiente e uma equipe preparados para recebê-la. A parceria com a Turma da Mônica faz parte dessa construção de familiaridade e confiança”, afirma Claudia.

Esse movimento ganha ainda mais sentido diante de um dos achados da pesquisa publicada em 2024 no Journal of Dentistry: crianças que nunca haviam passado por uma consulta odontológica apresentaram maior probabilidade de medo ou ansiedade do que aquelas que já tinham vivido essa experiência.

A familiaridade, portanto, pode ter um papel importante. Isso não significa eliminar completamente o medo, mas reduzir o espaço ocupado pela incerteza.

Informação, previsibilidade, acompanhamento e acolhimento ajudam a tornar o cuidado mais compreensível, seja para uma criança entrando pela primeira vez em uma clínica, um adolescente preocupado com o aparelho ou um adulto que carrega experiências negativas de muitos anos atrás.

O medo pode atravessar diferentes fases da vida. A forma de lidar com ele também precisa acompanhar essas diferenças.

*Informações Assessoria de Imprensa