
Tomar um remédio sempre que o joelho, a coluna ou as costas começam a doer pode parecer a solução mais simples para quem convive com dores recorrentes. No entanto, a o uso contínuo de analgésicos pode esconder a causa do problema e dificultar um tratamento adequado. Um estudo publicado na Brazilian Journal of Anesthesiology identificou que 78,4% dos pacientes com dor crônica analisados praticavam automedicação, principalmente anti-inflamatórios não esteroides, como dipirona e paracetamol.
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Intitulado “O uso de analgésicos e o risco de automedicação em uma amostra da população urbana: estudo transversal”, o trabalho avaliou 416 indivíduos de uma população urbana brasileira, das quais 190 apresentavam dor crônica. Entre esses pacientes, 149 relataram automedicação. As principais causas percebidas para a dor crônica estavam relacionadas à atividade profissional, a dores após cirurgias ou traumas e a dores musculoesqueléticas.
Para o médico especialista em dor e fundador da Rede CADE, Lúcio Gusmão, o problema começa quando o medicamento passa de uma ferramenta de controle momentâneo dos sintomas para um mecanismo de escape permanente de convivência com a dor.
“O analgésico é importante em determinadas situações, mas ele não deve ser encarado como a resposta para toda incômodo. Quando uma pessoa precisa tomar medicamento repetidamente para conseguir seguir a rotina, é preciso investigar por que aquela dor continua acontecendo. Porém, na correria do dia a dia e na pressão por produtividade, as pessoas deixam de consultar um profissional o o objetivo do é a busca pelo alívio momentâneo e não a recuperação da funcionalidade a longo prazo”, explica.
O agravante dos opioides
Dr. Lúcio aponta que a preocupação é ainda maior quando se trata de medicamentos opioides. Uma revisão sistemática e meta-análise publicada na revista Addiction, intitulada “Prevalência do uso problemático de opioides farmacêuticos em pacientes com dor crônica não relacionada ao câncer: uma revisão sistemática e meta-análise”, analisou 4,3 milhões de pessoas com dor crônica não relacionada ao câncer tratada com opioides. Os pesquisadores estimaram prevalência de 9,3% para dependência e transtorno por uso de opioides, além de 29,6% para sinais e sintomas dessas condições.
“A dependência não acontece porque alguém usou opioides durante um período curto. Existem fatores relacionados ao tipo de medicamento, à duração do uso, a fatores genéticos, à dose, à falta de disciplina do paciente e ao próprio contexto da dor. De todo modo, uma das modernas para evitar esse risco tem sido a administração controlada de cannabis medicinal (CBD e THC), que gera dependência consideravelmente menor e menores efeitos colaterais”, afirma Lúcio.
Na prática clínica, Lúcio relata receber pacientes que chegam ao consultório fazendo uso frequente de analgésicos e anti-inflamatórios fortes por conta própria. A partir da avaliação do padrão de dor, a equipe identifica quando o medicamento passou a fazer parte da rotina do paciente e se precisa ser revisto.
“Em alguns casos, a pessoa já chega preocupada e ansiosa com a possibilidade de cortar um remédio. Nessa situação, iniciamos o protocolo de desmame. Primeiro precisamos entender o que causa aquela dor e, dependendo do medicamento e do tempo de uso, fazer uma retirada mais ou menos progressiva dele. Durante esse período, introduzimos outras estratégias para que o paciente não fique sem nenhuma forma de controle dos sintomas”, conta.
Dor crônica exige tratamento integrado
Lúcio aponta que o tratamento da dor crônica deve combinar estratégias para além da consulta médica, abrangendo o trabalho de fisioterapeutas, psicólogos e profissionais de educação física.
“Não existe uma receita única. Às vezes, deve-se priorizar de uma intervenção cirúrgica; em outras situações o foco maior deve ser a recuperação da força e da mobilidade com exercícios físicos, em outra a melhora do sono e o trabalho das questões emocionais. A saúde mental é basilar nesse caso, pois o incômodo constante coloca muitos pacientes desmotivados com qualquer possibilidade de melhora. Um procedimento isolado ou um medicamento sozinho dificilmente consegue resolver toda a complexidade desses quadros”, explica.
Na Rede CADE, essa abordagem pode incluir recursos como ondas de choque, utilizadas em determinadas condições para estimular processos de recuperação tecidual, além de acupuntura e sessões de fisioterapia.
“O nosso objetivo é devolver qualidade de vida e autonomia. O tratamento não termina quando a dor diminui ele permanece com o monitoramento das melhoras. Queremos que o paciente consiga voltar a se movimentar, trabalhar e dormir melhor”, conclui Lúcio.
*Informações Assessoria de Imprensa











