Profissionais de Enfermagem e Saúde precisam daquilo que mais oferecem: cuidado

Profissionais de Enfermagem são os responsáveis pelo cuidado humano, em todos os seus aspectos, durante a hospitalização ou acompanhamento ambulatorial. E no cenário que estamos atravessando os atendimentos aos casos com maior gravidade requerem internação em Unidades de Terapia intensiva (UTI), espaços aonde enfermeiros e profissionais de outras áreas da Saúde realizam suas atividades de assistência integral e qualificada.

Assim como nos demais setores dos serviços de saúde, nas UTIs são realizados todos os cuidados necessários para a manutenção das necessidades biopsicossociais, além de gerenciar toda a assistência, recursos humanos e materiais. E, claro, estão implícitas a recuperação e a reabilitação dos pacientes. Justamente por ser assim destacamos que a Enfermagem é a espinha dorsal do Sistema de Saúde, diretamente ligada à assistência nas 24 horas do dia com os pacientes e familiares. Mas, devido à ausência de profissionais, em muitos casos, o dimensionamento para assistência não ocorre adequadamente, sobrecarregando toda a equipe que ali atua.  

Pois, além de uma rotina exaustiva, nesse instante que estamos vivenciando enfermeiros, assim como os médicos, ainda estão mais expostos ao vírus. Lutando com um inimigo invisível, eles estão completamente reféns e ameaçados nessa situação, passando a atuar em um “campo de guerra” pois o próprio vírus também pode atacá-los. São ininterruptas horas de trabalho, grande pressão nos hospitais para as tomadas de decisões, elevada escassez de equipamentos de proteção individual, ausência de leitos de internação, o medo que assombra o adoecimento, e ainda a realidade amplificada e constante da finitude do paciente.  

Segundo dados do Observatório da Enfermagem do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e do Conselho Internacional de Enfermagem, o Brasil responde por cerca de um quarto das mortes (23%) em todo o mundo, e já são mais de 700 profissionais da categoria que perderam a vida. Em cada um dos plantões não se tem a certeza da melhora, das possibilidades de vida, se convive com o medo e o profissional volta para casa sem saber se está ou não contaminando, experiências marcantes na vida de cada um. 

Essa é a constatação da pesquisa “Condições de Trabalho dos Profissionais de Saúde no Contexto da COVID-19” realizada pela Fiocruz em todo o território nacional. A pandemia acabou alterando significativamente a vida e as condições de bem-estar de 95% dos trabalhadores no setor saúde. Destes, 50% admitiram excesso de trabalho ao longo desta crise mundial de saúde, com jornadas extenuantes acima de 40 horas semanais. Ou seja, vivenciamos essa situação há mais de um ano, e os profissionais na linha de frente contra a nova doença estão esgotados. Seja pelas condições citadas, seja pelo elevado número de mortes, pela perda de colegas de profissão, de amigos e familiares.  

Além do esgotamento mental está presente a insegurança e o absenteísmo. Existe até mesmo a discriminação de profissionais em algumas situações como, por exemplo, nos condomínios onde residem, ou a alta taxa de notícias falsas que se tornam obstáculos e atrapalham sua condução do cuidado, principalmente no que se refere à prevenção do contágio ou sobre tratamentos não comprovados cientificamente. 

Está na hora de a sociedade como um todo acolher e dar atenção aos profissionais da Saúde e Enfermagem. Eles são as pessoas mais importantes de todo o processo do cuidar, porém também precisam ser cuidados nesse momento da maior crise sanitária que vivenciamos. 

 

(*) Cristiano Caveião é doutor em Enfermagem e coordenador da área da Saúde do Centro Universitário Internacional UNINTER 

(*) Maria Caroline Waldrigues é enfermeira, mestre em Educação e coordenadora do Curso Superior de Tecnologia em Instrumentação Cirúrgica do Centro Universitário Internacional UNINTER 

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