“Imunidade baixa” existe mesmo? Infectologista explica o que está por trás das infecções recorrentes

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(Foto: Freepik)

É comum ouvir frases como “minha imunidade está baixa” quando alguém enfrenta episódios frequentes de gripe, herpes ou outras infecções. Mas, afinal, o que esse termo significa de fato? A ideia de “imunidade baixa” muitas vezes é usada de forma genérica, sem considerar a complexidade do sistema imunológico e, principalmente, a influência direta do estilo de vida sobre ele.

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A imunidade não é um “interruptor” que simplesmente liga ou desliga. Trata-se de um sistema altamente sofisticado, composto por células, tecidos e órgãos que trabalham de forma integrada para proteger o organismo contra agentes infecciosos. Quando esse sistema não funciona de forma equilibrada, o corpo pode se tornar mais suscetível a infecções recorrentes, como gripes frequentes, herpes de repetição, candidíase, entre outras.

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Segundo a infectologista Paula Pinhão, diretora do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida (CBMEV), “na maioria dos casos, não estamos falando de uma imunodeficiência grave, mas de um sistema imunológico sobrecarregado ou desregulado, muitas vezes como consequência direta dos hábitos de vida”.

Diversos fatores do dia a dia têm impacto direto na resposta imunológica. Alimentação inadequada, privação de sono, sedentarismo, estresse crônico, consumo excessivo de álcool e tabagismo são alguns dos principais elementos que podem comprometer o funcionamento do sistema imune. “O estilo de vida moderno, marcado por alta carga de estresse, noites mal dormidas e alimentação ultraprocessada, cria um ambiente propício para a inflamação crônica no organismo. Isso enfraquece as defesas naturais do corpo e, consequentemente, o corpo adoece mais”, explica Paula.

Por outro lado, hábitos saudáveis atuam como verdadeiros aliados da imunidade: uma alimentação rica em alimentos in natura, a prática regular de atividade física, o sono de qualidade e o manejo do estresse contribuem para o equilíbrio do sistema imunológico e reduzem a incidência de doenças. “São pequenas mudanças que trazem excelentes resultados. Não é tão difícil melhorar nossos hábitos: trocar o elevador pelas escadas, trocar o doce da sobremesa por uma fruta, dormir uma hora mais cedo já são ajustes que podem fazer muito pela saúde e, consequentemente, pela imunidade”, fala a médica.

Casos de herpes de repetição, por exemplo, estão frequentemente associados a momentos de queda da resposta imunológica, que podem ser desencadeados por estresse, cansaço extremo ou outras condições que fragilizam o organismo. O mesmo acontece com gripes recorrentes: embora a exposição a vírus seja comum, a forma como o corpo reage depende diretamente do estado geral de saúde. “Ter episódios ocasionais de doenças infecciosas é esperado. O que chama atenção é a frequência e a intensidade desses quadros, que podem indicar que algo no estilo de vida precisa ser revisto”, afirma a especialista.

Abaixo, Paula Pinhão desvenda alguns mitos e verdades sobre imunidade:

Tomar vitamina C previne gripes?Mito (em partes).
“A vitamina C é importante para o sistema imunológico, mas seu consumo isolado não impede infecções. O benefício está dentro de um contexto de alimentação equilibrada”, diz a médica.

Estresse pode afetar a imunidade?Verdade.
“O estresse crônico libera hormônios que, em excesso, comprometem a resposta imunológica e aumentam a vulnerabilidade a infecções”, fala Paula.

Dormir mal prejudica as defesas do organismo?Verdade.
“O sono é fundamental para a regulação do sistema imune. A privação de sono reduz a capacidade do corpo de combater agentes infecciosos”, explica a diretora do CBMEV.

Exercício físico em excesso pode baixar a imunidade?Verdade.
“Embora a atividade física regular fortaleça o sistema imunológico, o excesso, especialmente sem recuperação adequada, pode ter o efeito oposto”, alerta a doutora.

Quem fica doente com frequência tem sempre um problema grave de saúde?Mito.
“Na maioria dos casos, não há doenças graves associadas, mas sim um conjunto de hábitos que impactam negativamente o sistema imunológico”, revela.

A Medicina do Estilo de Vida propõe justamente essa visão integrada da saúde, considerando que pequenas mudanças no cotidiano podem gerar impactos significativos na prevenção de doenças e na qualidade de vida.

“Cuidar da imunidade não significa buscar soluções rápidas ou fórmulas mágicas, mas sim investir em hábitos consistentes e sustentáveis ao longo do tempo”, explica Paula Pinhão, que finaliza: “Mais do que fortalecer o organismo contra infecções, esse cuidado promove bem-estar geral e contribui para uma vida mais saudável e equilibrada”.

*Informações Assessoria de Imprensa
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