Saúde mental e imunidade: impacto em pacientes com câncer

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2026-03-08 | 20:24h
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(Foto: Freepik)

Receber o diagnóstico de uma doença grave, como o câncer, não é fácil. Sentimentos como medo, raiva e angústia podem ser comuns, assim como as centenas de dúvidas que envolvem o processo, desde as formas de tratamento, até o receio de não resistir. Nesse cenário, o apoio psicológico aos pacientes com câncer – bem como aos familiares – se torna fundamental, indo além da saúde mental: ele pode contribuir, também, para a imunidade, melhorando até mesmo a resposta do organismo aos tratamentos.

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A neuropsicóloga Patricia Strebinger, que é sócia proprietária da Clínica Ahavah, destaca que enfrentar um turbilhão de emoções é absolutamente natural, uma vez que corpo e mente entram em “estado de alerta” por se sentirem ameaçados. Além disso, o tempo que cada pessoa leva para processar essa angústia também é relativo: enquanto um paciente pode levar algumas semanas, outro pode sofrer por meses. “O importante é observar se esses sentimentos começam a interferir na adesão ao tratamento, no sono, na alimentação ou nas relações. Quando o sofrimento deixa de ser um movimento de adaptação e se transforma em paralisia, é hora de buscar ajuda psicológica”, comenta a profissional.

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Essa paralisia, inclusive, pode impactar diretamente o sucesso do tratamento. Pacientes muito ansiosos ou deprimidos, por exemplo, podem negligenciar horários de medicação, faltar às sessões, perder o apetite e até enfraquecer o sistema imunológico. “O estresse crônico altera hormônios importantes, como o cortisol, que em excesso prejudica a resposta imunológica do corpo. Quando a mente está em sofrimento, o corpo também sente. Por isso, cuidar da saúde emocional é parte do tratamento médico não um complemento, mas um pilar fundamental.”

Dessa forma, o acolhimento emocional é a primeira estratégia que deve ser utilizada, lembrando que é importante que o paciente se sinta livre para sentir sem ser julgado. Caso os familiares ou amigos notem que o sofrimento está impactando a vida dessa pessoa querida, a orientação de Patricia é buscar a psicoterapia, que auxilia o paciente a dar significado à experiência e a desenvolver novas formas de enfrentamento. Nesse cenário, podem ser utilizadas técnicas como mindfulness, relaxamento, respiração consciente e reestruturação cognitiva, que consiste em revisar pensamentos catastróficos e substituí-los por percepções mais realistas. A neuropsicóloga reforça, também, a importância do apoio de familiares, amigos e o contato com outros pacientes.

Como a saúde mental impacta a imunidade?

Conforme Patricia, corpo e mente são inseparáveis. Por isso, quando o paciente está em sofrimento mental intenso, como quando recebe um diagnóstico de câncer, o sistema nervoso ativa respostas de estresse que reduzem a produção de células de defesa. “Já estados mentais mais equilibrados, com menos ansiedade e mais esperança, estimulam neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, que têm efeito positivo sobre o sistema imunológico”, diz.

Por isso, o acompanhamento psicológico ajuda o paciente a lidar com os efeitos colaterais físicos e emocionais do tratamento. Durante a quimio e a radioterapia, por exemplo, o corpo passa por transformações intensas e o emocional costuma oscilar entre medo da recidiva, alterações na autoimagem, cansaço, irritabilidade. “O psicólogo atua como um facilitador: ele ajuda o paciente a manter o foco no autocuidado, a criar estratégias de enfrentamento e a desenvolver resiliência diante das incertezas. Além disso, o suporte psicológico também favorece a comunicação com a equipe médica, o que melhora a adesão e os resultados do tratamento.”

Por fim, Priscila ressalta que, atualmente, existem intervenções complementares que, integradas ao acompanhamento médico e psicológico, podem potencializar o bem-estar, como as práticas de meditação, yoga, arteterapia, musicoterapia, neuromodulação e biofeedback. “Cada paciente é único: o mais importante é construir um plano de cuidado que considere suas necessidades emocionais, espirituais e físicas. Cuidar do câncer é cuidar da vida em todas as suas dimensões”, completa.

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Cunho
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