Maio cinza: tumores cerebrais têm maior índice de cura graças aos avanços da ciência

    O “Maio Cinza” é uma campanha que alerta sobre a importância do diagnóstico dos tumores cerebrais. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), que classificou os tumores cerebrais em 120 categorias diferentes, aproximadamente 98% deles são de natureza benigna, enquanto apenas cerca de 2% são cancerosos.

    O câncer cerebral é um dos tumores que exigem mais precisão para retirada. Quanto mais precoce o diagnóstico, melhor pode ser o tipo de procedimento. Os avanços da tecnologia ajudam na maior eficácia do tratamento e redução do tempo de recuperação.

     

    Os tumores cerebrais são, em maioria, secundários: surgem em metástases com origem em outras partes do corpo, 50% deles a partir de um câncer de pulmão ou de mama. No Brasil, segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), 4% das mortes por câncer estão associadas ao câncer cerebral. Isso não é pouco: até 2022, estima-se que sejam diagnosticados 11 mil novos casos de tumores.

    O “Maio Cinza” alerta para a importância do diagnóstico precoce dos tumores cerebrais. Eles são detectados a partir do crescimento desordenado das células normais do cérebro. No caso do tumor primário, é quando essa anomalia tem origem a partir do sistema nervoso central.

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    Tecnologia a serviço da saúde

    Boa parte dos tumores cerebrais, explica Ricardo Ramina, chefe do serviço de neurocirurgia e diretor do Hospital INC, de Curitiba (PR), podem ser curados com os avanços da tecnologia.

     

    Uma das técnicas inovadoras é o 5-ALA, que é um sal que funciona como corante que o paciente toma misturado com água algumas horas antes da cirurgia. Pioneiro na América Latina, esta substância faz com que o tumor sob a luz do microscópio cirúrgico, equipado com um filtro especial, adquira uma coloração vermelha bem diferente do tecido cerebral normal, destacando os limites tumorais e permitindo uma maior precisão ao neurocirurgião. Em muitos casos essa técnica é associada a um exame de ressonância magnética intraoperatória de alto campo.

    “Esse tipo de avanço é importante porque em cerca de até 30% dos casos podem permanecer restos do tumor necessitando uma nova cirurgia”, explica Ramina. “Essas técnicas mapeiam a retirada do tumor e auxiliam os neurocirurgiões a removerem totalmente a lesão. Isso, além de tudo, reduz o tempo de recuperação do paciente”.

     

    No caso da radiocirurgia por Gamma Knife, por exemplo, não é preciso nem recorrer ao bisturi. A técnica, chamada de radiocirurgia, trata enfermidades de forma não-invasiva: por meio da entrega de altas doses de radiação no local do sistema nervoso a ser tratado (tumor, por exemplo) com feixes de radiação muito estreitos que convergem para este local com extrema precisão. “Essa técnica, que no Brasil é realiza por pouquíssimos hospitais, é indicada para tumores e malformações vasculares com até 3 cm de diâmetro e que se encontram em áreas profundas do cérebro. Reduz muito o tempo de recuperação do paciente e também em muitos casos a necessidade de uma intervenção cirúrgica”, afirma Ramina.

     

    O paciente tem seu tratamento realizado, de modo geral, em apenas uma única sessão e sem a necessidade de hospitalização, podendo receber alta no mesmo dia. Como esses feixes de radiação penetram o crânio normal, não são necessários cortes ou incisões para este procedimento.

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