
São Paulo – A medicina brasileira enfrenta um desafio sem precedentes: a colisão entre uma população que envelhece rapidamente e um sistema de saúde que parece incapaz de oferecer o cuidado adequado.
Para o presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), César Eduardo Fernandes, a maior preocupação reside no fato de que o sistema de saúde e o corpo médico atual não possuem estrutura para o “tsunami de longevidade” que se aproxima.
Não há geriatras suficientes e os médicos generalistas que estão chegando ao mercado não foram devidamente preparados para essa complexidade”.
César Eduardo Fernandes em entrevista ao VIVA durante o 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral, na quinta-feira, 11.
No mesmo evento, o médico oncologista, Drauzio Varella aponta também que “a longevidade custa caro” para o sistema, explicando que, enquanto o jovem praticamente não gera custos para o SUS, o idoso traz consigo um “pacote” de comorbidades e doenças crônicas.
Ele destaca que a falha do modelo médico atual brasileiro é evidenciada pela incapacidade de conter o avanço das duas maiores epidemias modernas: a hipertensão e o diabetes. Varella classifica como a “falência da profissão” o dado alarmante de que, em um acompanhamento de um ano, apenas 12 em cada 100 pacientes hipertensos conseguem manter a pressão controlada.
Esse resultado pífio é atribuído ao modelo de consultório isolado, onde o médico atua de forma centralizada e muitas vezes participa de uma “farsa” imposta por planos de saúde, com consultas de apenas 10 a 15 minutos que impossibilitam qualquer exercício real da ética ou da arte da medicina”.
Para o oncologista, o especialista frequentemente negligencia o controle crônico do paciente por estar mais focado em casos agudos de sua área, ignorando que o tratamento de doenças crônicas exige vigilância contínua, algo que o médico sozinho não…









