
O Brasil ampliou o acesso econômico à alimentação saudável nos últimos quatro anos. Esta é a afirmação das Organizações das Nações Unidas (ONU) publicada no relatório anual O Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição no Mundo 2026 (SOFI 2026). Entre 2021 e 2025, o número de pessoas sem condições financeiras de adquirir uma dieta saudável caiu de 65,3 milhões para 44,8 milhões. Apesar do avanço, o custo dessa alimentação ainda estava fora do alcance de aproximadamente um em cada cinco brasileiros.
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O SOFI 2026 é considerado o mais importante estudo internacional sobre alimentação e é usado por centenas de países para construção da segurança alimentar ao redor do globo. É produzido em conjunto pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO); Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA); Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef); Programa Mundial de Alimentos (PMA) e Organização Mundial da Saúde (OMS), todos da ONU.
No Brasil, o levantamento também confirma a permanência do país fora do Mapa da Fome, com prevalência de subnutrição inferior a 2,5% no triênio 2023–2025. Esse resultado, porém, convive com outra realidade: milhões de pessoas ainda enfrentam restrições para se alimentar regularmente e adquirir alimentos que atendam às suas necessidades nutricionais.
“O caminho para alimentação saudável e adequada é longo e cheio de desafios. Sair do mapa da fome é uma conquista, mas garantir recursos e acesso à dietas saudáveis, garantindo qualidade de vida e prevenindo doenças que sobrecarregam o sistema público de saúde, ainda é um grande desafio global”, afirma Manuela Dolinsky, presidente do CFN e professora de Nutrição e Dietética da Universidade Federal Fluminense (UFF).
A proporção da população brasileira sem condições de pagar por uma alimentação saudável passou de 31,2%, em 2021, para 21,1%, em 2025. A trajetória recente mostra quedas sucessivas: eram 55,5 milhões de pessoas nessa condição em 2022; 50,9 milhões em 2023; e 45,4 milhões em 2024. A melhora ocorreu enquanto o custo estimado da dieta saudável aumentava.
No Brasil, o valor passou de 3,97 dólares internacionais por pessoa ao dia, em 2021, para 4,89 em 2025. A unidade considera a paridade de poder de compra e permite comparações entre países.
O indicador de acesso econômico estima a capacidade financeira de adquirir essa alimentação. Ele não comprova que as pessoas efetivamente consumam uma dieta saudável. Disponibilidade dos alimentos, condições de preparo e hábitos alimentares também precisam ser considerados na compreensão do que chega à mesa.
“Enxergo, tanto na Academia como no CFN, pontos fundamentais de contato com a população. Nosso trabalho vai muito além apenas de regular a profissão, mas gerar conhecimento necessário, em conjunto com todas as esferas de poder, para garantir nutrição saudável e sustentável. Má alimentação ainda é um enorme problema de saúde no Brasil”, afirmou Dolinsky, que também coordena o Grupo de Pesquisa em Alimentos Funcionais da UFF.
A leitura conjunta dos resultados permite reconhecer a dimensão do avanço brasileiro e a extensão do trabalho que ainda precisa ser feito. Mas o contigente de mais de 44 milhões de brasileiros, segundo o estudo, que ainda não consegue acessar uma dieta saudável demanda rapidez e objetividade dos tomadores de decisões.
“São discussões permanentes que necessitam de grande energia dos tomadores de opinião do país. Desde academia, passando por instâncias de poder e sociedade civil. A união de todas as forças é fundamental para construção de um sociedade mais saudável e, acima de tudo, sustentável”, garantiu Manuela.
Para a ONU, uma alimentação saudável precisa oferecer energia e nutrientes em quantidade suficiente e nas proporções adequadas às necessidades de cada pessoa. Isso exige variedade de alimentos, como frutas, verduras, legumes, cereais, feijões e outras fontes de proteína, além de limitar o consumo de sal, açúcares livres e gorduras saturadas e trans. Os alimentos também devem estar livres de contaminações que coloquem a saúde em risco.







