Pela primeira vez em 5 anos, Brasil registra queda de 13,2% nos afastamentos por transtornos mentais no primeiro semestre de 2026, aponta Caju

afastamento saúde mental
(Foto: senivpetro/Magnific)

Após um 2025 marcado por recordes históricos de afastamentos relacionados à saúde mental, o primeiro semestre de 2026 trouxe um sinal relevante de desaceleração. Levantamento da Caju, empresa de tecnologia para benefícios, despesas corporativas e gestão de pessoas, aponta que o Brasil registrou 232.382 afastamentos por transtornos mentais entre janeiro e junho deste ano, uma redução de 13,2% em comparação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 267.690 casos.

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A queda representa 35.308 afastamentos a menos em apenas seis meses e marca a primeira redução consistente observada pela série histórica acompanhada pela Cajuína, frente de inteligência da Caju. Embora o segundo trimestre tenha registrado crescimento em relação aos três primeiros meses do ano, o desempenho permaneceu abaixo do observado em 2025. Entre abril e junho de 2026 foram contabilizados 126.508 afastamentos, número 20,2% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

“Os dados mostram uma desaceleração importante após anos de crescimento contínuo dos afastamentos por transtornos mentais, mas ainda não permitem concluir que o problema está resolvido. O volume de casos segue elevado e exige atenção das organizações, por isso, a NR-1 representa um marco ao tornar a gestão dos riscos psicossociais parte da estratégia das empresas, contribuindo para ambientes de trabalho mais saudáveis e sustentáveis”, destaca Lucas Fernandes, CHRO da Caju.

A participação dos transtornos mentais entre todos os auxílios-doença concedidos pelo INSS também apresentou retração. O indicador caiu de 13,9% no primeiro semestre de 2025 para 12,8% no mesmo período deste ano. Ao analisar os dados por mês, maio se destacou como o principal responsável pelo resultado de queda no volume de casos do semestre. O período registrou 40.352 afastamentos, uma redução de 36,8% em relação aos 63.877 casos observados em maio de 2025. Já março foi a exceção da série, com crescimento de 24,3%, movimento influenciado pelo mutirão promovido pelo INSS para acelerar atendimentos represados.

Os afastamentos relacionados a transtornos ansiosos (CID F41), principal causa de concessão do benefício, caíram 7,7% e somaram 74.016 registros no semestre. Os episódios depressivos (CID F32) apresentaram a maior redução em volume absoluto, com queda de 19,1%, totalizando 50.859 casos. Também houve recuo nos casos de transtorno afetivo bipolar (-14,1%) e transtorno depressivo recorrente (-15,2%).

Dados mostram ainda que o burnout segue como um importante sinal de alerta. Entre janeiro e junho de 2026 foram registrados 3.598 afastamentos classificados como esgotamento (CID Z73.0). Embora o código não integre oficialmente o grupo de transtornos mentais da CID-10 utilizado no levantamento, o volume reforça a relevância do tema para a gestão de pessoas e para as estratégias de prevenção dentro das organizações.

Apesar do resultado positivo, o volume permanece elevado e reforça a necessidade de atenção contínua de empresas, lideranças e profissionais de recursos humanos à saúde mental no ambiente de trabalho.

Metodologia

O levantamento foi produzido por Cajuína, fonte de conteúdo e inteligência da Caju, com base em dados públicos disponibilizados mensalmente pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e pelo Ministério da Previdência Social. A análise considera os benefícios concedidos por transtornos mentais e comportamentais classificados entre os códigos F00 e F99 da CID-10, abrangendo desde quadros de ansiedade e depressão até transtornos mais complexos, como esquizofrenia e transtornos relacionados ao uso de álcool e outras substâncias.

*Informações Assessoria de Imprensa
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