Estufar até com salada? O que a barriga inchada revela sobre o intestino

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(Foto: Magnific)

Comeu uma salada, se sentiu leve ao montar o prato e, minutos depois, a calça já não fecha do mesmo jeito. A cena é comum e, segundo especialistas, tem uma explicação que pouca gente conhece: na maioria dos casos, estufar não tem relação com a quantidade de comida, e quase nunca é gordura.

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Um dado ajuda a entender por que essa queixa é tão frequente. Segundo dados publicados pela Enterogermina e citados na literatura sobre saúde digestiva, cerca de 40% da população relata algum grau de inchaço ou distensão abdominal, taxa que sobe ainda mais entre pessoas com quadros funcionais já diagnosticados, como síndrome do intestino irritável e dispepsia funcional. Ou seja: quem estufa com frequência está longe de ser exceção, e o motivo, na maioria das vezes, está dentro do intestino, não na balança.

Estufar não é “comeu demais”

Para a nutricionista Alice Paiva, essa é a primeira confusão que precisa ser desfeita. “Estufar não é comeu demais, e quase nunca é gordura. É o seu intestino avisando que algo não está digerindo bem”, explica.

Segundo ela, o processo é mecânico e acontece em poucas etapas: o alimento chega ao intestino, vira comida para as bactérias, fermenta, gera gás e distende a parede abdominal. Em poucos minutos, é possível notar a barriga visivelmente mais estufada, mesmo sem qualquer ganho real de peso ou gordura.

Quando a salada “leve” vira o problema

Um dos pontos que mais surpreende pacientes, segundo Alice, é descobrir que vegetais considerados saudáveis podem ser justamente o gatilho da distensão em intestinos mais sensíveis. Cebola, alho, brócolis, couve-flor, repolho e beterraba crua estão entre os alimentos ricos em FODMAPs, carboidratos fermentáveis que, em quantidade, tendem a fermentar mais facilmente no intestino.

“A salada leve costuma ser uma bomba de FODMAP. Em intestino sensível, são justamente esses vegetais que fermentam”, alerta a nutricionista.

Nem sempre é só a barriga

Outro ponto de atenção, segundo Alice, é que a distensão raramente aparece sozinha. Gases e estufamento que pioram ao longo do dia, sono ruim, cansaço sem explicação aparente, sensação de comida parada após as refeições e um peso que não desce mesmo com alimentação adequada costumam vir juntos, formando um padrão que merece investigação.

Em alguns casos, esse conjunto de sinais pode apontar para SIBO (supercrescimento bacteriano do intestino delgado) ou disbiose intestinal. “No SIBO, a fibra fermenta cedo demais, ainda no intestino delgado. Some a isso pouca enzima, baixo ácido gástrico e mastigação rápida”, descreve a especialista.

A solução não é cortar a salada

Apesar do alerta sobre os FODMAPs, a orientação de Alice não é eliminar vegetais da dieta. “Não é cortar salada, é organizar o estímulo”, resume.

Entre as mudanças que costumam trazer alívio, ela cita cozinhar levemente os vegetais antes de consumi-los, reduzir temporariamente o consumo de crucíferas cruas, mastigar bem os alimentos, já que a digestão começa na boca, e investigar SIBO ou disbiose em vez de simplesmente aumentar a ingestão de fibras na tentativa de resolver o inchaço.
“Comer saudável é comer o que não inflama o seu intestino. Não é sobre cortar tudo, é sobre organizar os estímulos”, completa a nutricionista.

Para Alice, entender essa lógica muda a forma como a maioria das pessoas encara o próprio corpo. Afinal, uma barriga que estufa mesmo depois de escolhas consideradas saudáveis não é sinal de fraqueza ou descontrole, mas um convite para investigar o que, de fato, está acontecendo por trás dela.

*Informações Assessoria de Imprensa
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