Você sente culpa por não estar feliz? Entenda a positividade tóxica

positividade tóxica
(Foto: cookie_studio/Freepik)

Você já se sentiu errado por estar triste, mesmo tendo motivo para isso? Muita gente passa por uma fase difícil e, ainda assim, tenta responder que está tudo bem, agradecer pelo problema e encontrar um lado positivo antes mesmo de entender o que sente.

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Esse comportamento pode estar ligado à positividade tóxica. O termo é usado para descrever a cobrança de manter uma atitude positiva a qualquer custo, mesmo diante de tristeza, medo, raiva, luto ou frustração.

Para Gustavo Arns, especialista em Ciência da Felicidade, a questão não está em cultivar otimismo, esperança ou gratidão, mas em transformar felicidade em obrigação.

“A verdade é que nós vivemos hoje numa ditadura da felicidade. Se não estamos felizes 100% do tempo, parece que tem algo de errado conosco. Então, além de sentir tristeza, sentimos culpa por nos sentir tristes”, afirma.

Veja sinais de positividade tóxica

A positividade tóxica pode aparecer de forma sutil. Na prática, esse tipo de cobrança pode aparecer em atitudes como:

  • Sentir culpa por estar triste, mesmo quando há motivo para isso;
  • Tentar encontrar um lado positivo em tudo antes de acolher o que sente;
  • Esconder dificuldades para parecer forte ou grato;
  • Responder ao sofrimento dos outros com frases prontas;
  • Evitar conversas difíceis para não parecer negativo;
  • Achar que emoções como raiva, medo e tristeza são falhas pessoais.

Quando a positividade deixa de ajudar

Ser otimista pode ajudar uma pessoa a atravessar momentos difíceis. O problema aparece quando a positividade vira uma forma de apagar emoções reais, em vez de ajudar a lidar com elas.

No cotidiano, isso pode aparecer em frases como “pense positivo”, “pelo menos você tem saúde”, “tudo acontece por um motivo” ou “não fique assim”. Embora muitas vezes sejam ditas com boa intenção, essas respostas podem fazer a pessoa sentir que não tem espaço para sofrer.

Segundo Arns, todas as emoções fazem parte da vida humana. O incômodo começa quando a pessoa passa a negar o que sente para sustentar uma imagem de força, leveza ou gratidão permanente.

“Todas as emoções são importantes, precisam ser abraçadas e acolhidas. A tristeza também tem lugar na vida humana”, diz Arns.

O que fazer no lugar

O caminho não é abandonar o pensamento positivo. A questão é permitir que ele conviva com a realidade.

Em vez de tentar corrigir rapidamente o que o outro sente, pode ser mais útil abrir espaço para acolhimento. Frases como “imagino que esteja difícil”, “você quer conversar sobre isso?” ou “eu não sei como vai ser, mas estou aqui” ajudam a reconhecer a dor sem tentar anulá-la.

Para Gustavo Arns, acolher emoções difíceis é parte de uma vida emocional mais madura. A felicidade, nesse sentido, não exige negar a dor.

“A vida feliz não é uma vida livre de problemas. É uma vida com capacidade de lidar com eles”, avalia.

Quando buscar ajuda

De forma geral, sentir tristeza, ansiedade ou desânimo em alguns momentos faz parte da vida. Mas quando essas emoções se tornam persistentes, atrapalham o sono, alimentação, trabalho, relações ou cuidados básicos, é importante procurar ajuda profissional.

Também vale buscar apoio quando a pessoa sente que precisa esconder tudo o que sente, não consegue falar sobre sofrimento ou vive tentando parecer bem para não decepcionar os outros.

Segundo Arns, reconhecer emoções difíceis não significa abandonar o otimismo. A diferença está em permitir que tristeza, medo, raiva ou frustração sejam percebidos antes de tentar transformar tudo em uma resposta positiva.

*Informações Assessoria de Imprensa
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