
Quem nunca se pegou adiando uma decisão importante, abandonando um projeto promissor ou reagindo de forma contrária àquilo que realmente gostaria de fazer? Embora muitas pessoas associem esses comportamentos à falta de disciplina ou motivação, a psicologia aponta que, em muitos casos, eles podem estar relacionados a um fenômeno conhecido como autossabotagem.
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Segundo a psicóloga Ive Carnavarolo Camanducci, a autossabotagem costuma ser resultado de padrões mentais desenvolvidos ao longo da vida como mecanismos de proteção emocional. “Os sabotadores são pensamentos, crenças e comportamentos que surgem com a intenção de nos proteger de situações que geram medo, desconforto ou insegurança. O problema é que aquilo que inicialmente funciona como defesa acaba limitando nosso crescimento e impedindo que alcancemos objetivos importantes”, explica.
De acordo com a especialista, esses mecanismos geralmente se desenvolvem ainda na infância e passam a atuar de forma automática na vida adulta. “Uma pessoa que cresceu em um ambiente marcado por conflitos constantes, por exemplo, pode desenvolver uma tendência a evitar qualquer situação de confronto. O que antes servia para reduzir o sofrimento passa a prejudicar relacionamentos, decisões profissionais e a capacidade de resolver problemas”, afirma.
Os principais gatilhos da autossabotagem
Embora os gatilhos variem de acordo com a história de vida de cada indivíduo, alguns fatores aparecem com frequência entre os pacientes que buscam ajuda psicológica. Entre eles estão mudanças inesperadas, falta de autoconhecimento, desmotivação e dificuldade de manter o foco. “Sair da zona de conforto costuma ativar muitos mecanismos de defesa. Quando a pessoa não compreende suas emoções ou não conhece seus próprios padrões de comportamento, torna-se mais vulnerável aos processos de autossabotagem”, destaca Ive.
A psicóloga ainda explica que esses gatilhos podem desencadear comportamentos como procrastinação, excesso de preocupação, necessidade de controle, perfeccionismo e até mesmo o abandono de oportunidades importantes. Entre os diversos tipos de sabotadores descritos pela psicologia positiva, um dos mais frequentes é o chamado “crítico interno”. “É aquela voz mental que constantemente aponta defeitos, prevê fracassos e questiona a capacidade da pessoa. Ele está diretamente relacionado ao aumento da ansiedade, da culpa e da sensação de inadequação”, explica. Além dele, também podem surgir padrões ligados ao perfeccionismo, à necessidade excessiva de aprovação, ao medo constante de errar, à procrastinação e à busca exagerada por controle.
Como identificar se você está se autossabotando?
Para Ive Carnavarolo Camanducci, o primeiro passo é desenvolver consciência sobre os próprios comportamentos. “Quando uma situação se repete constantemente e produz resultados negativos semelhantes, vale a pena investigar o que está por trás dela. Muitas vezes, a pessoa acredita que o problema está no ambiente externo, quando na verdade existe um padrão interno influenciando suas escolhas”, afirma. A especialista recomenda observar quais emoções costumam surgir antes de determinadas atitudes e identificar quais situações despertam medo, insegurança, ansiedade ou desconforto.
É possível controlar os sabotadores?
Segundo a psicóloga, eliminar completamente esses mecanismos não é uma meta realista. O objetivo é aprender a reconhecê-los e impedir que assumam o controle das decisões. “Os sabotadores sempre existirão em algum nível. O diferencial está em desenvolver autoconhecimento e inteligência emocional para perceber quando eles estão agindo e escolher respostas mais conscientes”, diz.
Entre as estratégias recomendadas estão a observação dos próprios pensamentos, o fortalecimento do autoconhecimento, a prática de atenção plena e a criação de planos de ação para lidar com situações que costumam desencadear comportamentos autossabotadores.
“A boa notícia é que nossa mente não é composta apenas por esses mecanismos. Também existe uma parte mais equilibrada, consciente e sábia, capaz de analisar as situações com clareza. Quanto mais desenvolvemos essa habilidade, menor é a influência dos sabotadores sobre nossa vida”, conclui Ive.








