Pequeno Príncipe reúne especialistas de todo o país em mutirão de cirurgias de coluna pediátrica em Curitiba

cirurgia coluna
(Foto: Divulgação/Camila Hampf)

Referência nacional no tratamento de deformidades complexas da coluna em crianças e adolescentes, o Serviço de Ortopedia do Hospital Pequeno Príncipe promoveu, entre os dias 9 e 12 de junho, a Semana da Coluna, em alusão ao Junho Verde, mês mundial de conscientização sobre a escoliose. Durante o mutirão, oito adolescentes atendidos exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) foram submetidos à artrodese da coluna, procedimento indicado para corrigir deformidades graves e progressivas.

Mais do que ampliar o acesso ao tratamento especializado, a iniciativa reafirmou o papel do Hospital como centro de excelência em cirurgia pediátrica de coluna e como polo de formação e disseminação de conhecimento. A mobilização reuniu quatro cirurgiões convidados, que atuam em diferentes regiões do país, além da equipe do Pequeno Príncipe, promovendo atualização técnica, discussão de casos complexos e intercâmbio de experiências entre profissionais dedicados ao tratamento dessas condições.

Com mais de 30 anos de atuação, o Serviço de Ortopedia do Hospital Pequeno Príncipe se tornou uma das principais referências brasileiras no tratamento de deformidades complexas da coluna em crianças e adolescentes. Essa expertise integra um serviço reconhecido nacionalmente em diversas áreas da ortopedia infantojuvenil. Além do atendimento de deformidades complexas da coluna, a equipe se destaca no tratamento do pé torto congênito, de doenças neuromusculares, de alterações congênitas do sistema musculoesquelético e de lesões traumáticas, recebendo pacientes de diferentes regiões do Brasil para avaliação e assistência especializada.

Além da alta complexidade, o serviço oferece atendimento ortopédico integral, abrangendo desde traumas, como fraturas e luxações, até o diagnóstico e tratamento de doenças congênitas, adquiridas e neuromusculares. A estrutura reúne especialistas dedicados exclusivamente ao público infantojuvenil e um modelo assistencial que integra ortopedistas, anestesistas, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas e equipe de enfermagem e de assistência social, permitindo uma abordagem centrada nas necessidades do paciente e de sua família.

Linha de cuidado transformou os resultados

O reconhecimento nacional do serviço também está relacionado aos resultados alcançados nos últimos anos por meio de uma linha de cuidado voltada aos pacientes submetidos à artrodese da coluna. Implantado em 2020, o modelo é baseado na integração multiprofissional, no envolvimento das famílias e na adoção de protocolos assistenciais padronizados.

Os resultados foram publicados em estudo científico que demonstrou redução significativa do tempo total de hospitalização e da permanência em terapia intensiva. Entre 2019 e 2022, o período médio de internamento em UTI caiu de 3,8 dias para 0,8 dia por paciente, enquanto a redução acumulada gerou economia estimada de R$ 189 mil ao SUS em um período de cinco anos.

Na prática assistencial, os ganhos continuaram avançando. Segundo o ortopedista Luiz Müller Ávila, do Hospital Pequeno Príncipe, entre os pacientes com escoliose idiopática, o tempo médio de hospitalização foi reduzido de 5,7 dias para 3,8 dias. Além disso, apenas 3% dos pacientes necessitaram de UTI em 2024 e, em 2025, nenhum caso demandou cuidados intensivos no pós-operatório.

“A principal evolução dos últimos anos não foi uma mudança na técnica cirúrgica, mas na forma como cuidamos do paciente antes, durante e depois da cirurgia. Hoje, conseguimos oferecer uma recuperação mais rápida, com menos complicações e maior conforto para pacientes e famílias. Psicologicamente, estar em um quarto é muito menos estressante do que permanecer em uma UTI em um momento que já é delicado por si só”, explica o especialista.

Além dos resultados assistenciais, o conhecimento produzido pelo serviço também contribui para a formação de profissionais e para a ampliação do acesso ao tratamento especializado em diferentes regiões do Brasil.

Conhecimento que chega a diferentes regiões do país

Para Müller, um dos principais legados da Semana da Coluna está na disseminação do conhecimento e no fortalecimento da rede de especialistas dedicados ao tratamento das deformidades da coluna pediátrica.

“O mutirão nos permite atender mais pacientes e, ao mesmo tempo, promover uma troca técnica muito rica entre profissionais que compartilham o interesse e a experiência. Reunir especialistas de diferentes regiões do Brasil favorece a discussão de casos complexos, a atualização de condutas e a construção de soluções que podem ser aplicadas em outros serviços”, afirma.

Segundo Müller, a influência da formação realizada no Hospital ultrapassa os limites da instituição. Atualmente, profissionais formados ou aperfeiçoados no Pequeno Príncipe atuam em estados como Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Pará e Santa Catarina, contribuindo para ampliar o acesso ao tratamento especializado de crianças e adolescentes em todo o país.

O Hospital Pequeno Príncipe também é referência nacional na formação de ortopedistas pediátricos. O programa de Residência Médica em Ortopedia e Traumatologia, credenciado pelo Ministério da Educação (MEC) e desenvolvido em parceria com a Faculdades Pequeno Príncipe, recebe candidatos do Brasil inteiro e está entre os mais concorridos da especialidade.

Com duração de três anos e foco no atendimento infantojuvenil, o programa oferece contato com alguns dos casos ortopédicos mais desafiadores da pediatria em um dos maiores hospitais pediátricos da América Latina. Anualmente, são disponibilizadas três vagas de ampla concorrência, e a relação candidato-vaga costuma girar em torno de 14 para 1.

Ao longo de mais de três décadas, o serviço contribuiu para a formação de especialistas que hoje atuam em hospitais e centros de referência em diversos estados brasileiros, ampliando o acesso ao tratamento de deformidades da coluna e outras condições ortopédicas complexas na infância e adolescência.

“Poucos médicos são especialistas em deformidades da coluna pediátrica no Brasil. As doenças graves da coluna estão cada vez mais evidentes no público infantojuvenil, e essa especialização é fundamental para ampliar o acesso ao tratamento especializado e fortalecer a formação de profissionais em diferentes regiões do país”, destaca o médico responsável pelo Serviço de Ortopedia do Hospital Pequeno Príncipe, Luis Eduardo Munhoz da Rocha.

*Informações Assessoria de Imprensa

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