
A Agência Nacional de Saúde (ANS) registrou, em fevereiro de 2026, taxa de rotatividade de 28,30% nos planos de assistência médica no acumulado de 12 meses, o equivalente a 15,7 milhões de adesões e 14,4 milhões de cancelamentos em um ano. O dado mostra que o setor processa um volume de movimentações quase equivalente ao crescimento líquido registrado no período, que foi de 1.028.835 novos vínculos na comparação com fevereiro de 2025, chegando a 52.972.156 beneficiários.
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Cada adesão ou cancelamento gera registros cadastrais que precisam ser validados e transmitidos à ANS via Sistema de Informações de Beneficiários (SIB) e Troca de Informação de Saúde Suplementar (TISS). Dados como CPF, Cartão Nacional de Saúde (CNS), data de nascimento e número do plano também trafegam nas guias e precisam estar compatíveis com a base da Receita Federal. Inconsistências resultam em rejeição de guias, comprometimento do Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS) e falhas no ressarcimento ao SUS. “Uma rotatividade de 28,3% ao ano significa reconstruir quase um terço da base de dados continuamente. Quando esse processo não tem governança, os erros aparecem meses depois, no batimento TISS, na nota do IDSS ou num ressarcimento que não fecha”, analisa Flávio Exterkoetter, CEO da Blendus.
O risco é maior nos planos coletivos empresariais, que respondem por 73,1% da base médica e registraram rotatividade anual de 32,82%, quase o triplo dos planos individuais (11,76%). O segmento cresceu 3,32% em 12 meses, concentrando ainda mais a carteira das operadoras num formato em que cada admissão ou demissão do empregador dispara uma cadeia de atualizações cadastrais. A Blendus acompanha esse movimento junto a 137 operadoras, que somam cerca de 23,5 milhões de beneficiários em todo o país.
Para Exterkoetter, a diferença entre operadoras que enfrentam bem a rotatividade e as que acumulam passivos regulatórios está na forma como tratam os dados de movimentação. “As operadoras mais preparadas usam cada entrada e saída de beneficiário como um evento a ser rastreado e qualificado. As demais encaram como burocracia. Essa escolha define quem vai crescer com sustentabilidade e quem vai gastar energia apagando incêndio com a ANS”, conclui.
As consequências de cadastros mal geridos podem impactar no dia a dia dos beneficiários dos planos de saúde. Uma guia de consulta ou exame rejeitada por incompatibilidade de dados, por exemplo, pode atrasar ou inviabilizar um atendimento, mesmo que o plano esteja ativo. Erros no CNS ou na data de nascimento podem ser suficientes para barrar a autorização de procedimentos em sistemas automatizados. Quem troca de emprego e, com isso, muda de plano coletivo ou empresarial, está especialmente exposto, pois é justamente na janela de transição entre vínculos que inconsistências cadastrais tendem a aparecer.
*Informações Assessoria de Imprensa
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