Dia Mundial da Saúde levanta debate acerca do papel do RH: quem cuida dos cuidadores?

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(Foto: Freepik)

Com a proximidade do Dia Mundial da Saúde Mental, em 10 de outubro, as empresas intensificam suas campanhas de bem-estar, normalmente iniciadas no mês de setembro e lideradas pelo setor de Recursos Humanos. No entanto, um paradoxo alarmante expõe uma crise silenciosa: justamente os profissionais responsáveis por cuidar dos colaboradores estão entre os mais afetados por exaustão. 

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Dados do Panorama da Saúde Emocional do RH, da Flash, revelam que mais de 80% dos profissionais da área se sentem sobrecarregados e 65% enfrentaram alguma questão de saúde mental no último ano. O cenário mostra que o setor se tornou um para-raios para as tensões organizacionais, absorvendo o peso de demissões, crises e assédios, mas sem o devido suporte institucional.

Para Leandro Oliveira, diretor da Humand no Brasil, plataforma global voltada à centralização da cultura organizacional, estamos em um ciclo perigoso onde o RH, que deveria ser o pilar do bem-estar, é a primeira peça a ruir por exaustão. “A área se tornou o epicentro de crises emocionais, sem ter seu próprio canal de suporte. Essa data global precisa servir de alerta: se não cuidarmos de quem cuida, toda a cultura de bem-estar da empresa é apenas uma fachada”, sinaliza o especialista.

Ele alerta ainda que um RH exausto não sustenta engajamento; muito pelo contrário, ele gera um efeito dominó que eleva o turnover, piora o clima e mina a confiança em toda a organização.

Até por isso, o executivo reforça que os meses de setembro e outubro precisam ser encarados como um ponto de virada a fim de gerar um olhar mais amplo, incluindo também quem estrutura e promove esse cuidado. “É um período ideal para lançar iniciativas internas de escuta, reconhecimento da sobrecarga do setor e implementação de ações práticas, como acesso a terapia, além da revisão de escopo e investimentos, principalmente, de tecnologia”, afirma ele.

Para Oliveira, ferramentas como automação de processos, chatbots, inteligência artificial no recrutamento e plataformas de saúde emocional podem reduzir drasticamente a carga operacional e emocional do RH. “Soluções como análise preditiva e plataformas de bem-estar personalizadas permitem que a área atue de forma mais preventiva, englobando, inclusive, cuidados voltados para sua própria equipe”, pontua.

Novamente, o discurso se baseia em evidência. O Censo do RH, produzido pela Wall Jobs, revela que 32% dos profissionais apontam a sobrecarga de trabalho e a falta de tempo como os principais desafios da área. Outros 22% mencionam a carência de estrutura e dados como fator crítico.

Sendo assim, o diretor da Humand destaca que o futuro do RH será o de um setor menos focado em apagar incêndios. “O objetivo da área será a análise preditiva e a construção de uma cultura organizacional genuinamente saudável, com o apoio da tecnologia, claro”, finaliza ele.

*Informações Assessoria de Imprensa

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