Miopia infantil avança e pede atenção desde os primeiros anos

schedule
2026-08-27 | 17:00h
update
2026-08-27 | 18:27h
person
Saúde Debate
domain
Saúde Debate
(Foto: senivpetro/Magnific)

A miopia está se tornando mais frequente entre crianças e adolescentes em diferentes partes do mundo. Uma revisão sistemática publicada em 2025 no British Journal of Ophthalmology, com 276 estudos e mais de 5,4 milhões de participantes de 50 países, apontou que a prevalência global passou de 24,3% em 1990 para 35,8% em 2023. A projeção é de que chegue a 39,8% em 2050, o que representaria mais de 740 milhões de casos entre crianças e adolescentes.

Leia também – Exposição excessiva a telas traz prejuízos às crianças, alerta secretário da APM PiracicabaAMP

Publicidade

O cenário tem levado a Oftalmologia a olhar para a miopia infantil de outra maneira. Para o oftalmologista Rodrigo Carvalho, da Alpha Oftalmologia Avançada, não basta identificar o grau e prescrever os óculos: é importante acompanhar sua evolução e reconhecer precocemente os casos com maior risco de progressão.

“Não queremos apenas corrigir a miopia. Queremos identificar precocemente quem está progredindo e, quando indicado, tentar desacelerar essa progressão”, enfatiza.

O que mudou na rotina das crianças

A genética influencia o desenvolvimento da miopia, mas não explica sozinha o avanço observado nas últimas décadas. Estudos apontam a importância de fatores ambientais, principalmente a combinação entre maior exposição a atividades de visão próxima e menos tempo ao ar livre. O International Myopia Institute considera o tempo ao ar livre um dos fatores ambientais com evidência mais consistente de proteção contra o aparecimento da miopia.

“Não devemos simplesmente dizer que o celular causa miopia. A relação é mais complexa”, explica Carvalho. O uso de dispositivos é uma forma contemporânea de atividade de perto, mas a epidemia de miopia já era observada antes da popularização dos smartphones. Por isso, a recomendação não é simplesmente retirar as telas da rotina, mas equilibrar atividades próximas com pausas e, principalmente, mais tempo em ambientes externos.

A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 90 minutos diários ao ar livre, durante o dia, como uma das medidas que podem ajudar a retardar o aparecimento da miopia.

Quando a criança não percebe que enxerga mal

Um dos desafios é que a miopia pode passar despercebida. A criança pode se aproximar da televisão, apertar os olhos para enxergar de longe, sentar perto da lousa ou simplesmente se adaptar à visão borrada sem reclamar.

“Não espere a criança reclamar que não está enxergando”, orienta o oftalmologista. “Muitas vezes ela não percebe que existe um problema porque aquela é simplesmente a única maneira de enxergar que ela conhece.”

A idade de início também merece atenção. Quanto mais cedo a miopia aparece, maior pode ser o período de progressão durante o crescimento. Por isso, a avaliação deve considerar não apenas o grau, mas sua evolução ao longo do tempo. Em determinados casos, o acompanhamento do comprimento axial do olho também pode contribuir para essa avaliação.

O objetivo é controlar a progressão

Óculos continuam sendo uma forma segura e eficiente de corrigir a visão. Mas, para crianças cuja miopia está avançando, existem estratégias específicas de controle, que podem incluir determinados tipos de lentes para óculos, lentes de contato, ortoceratologia e atropina em baixas concentrações. A escolha depende das características de cada paciente e deve ser feita pelo oftalmologista.

A preocupação não se resume à necessidade de trocar as lentes com mais frequência. A alta miopia está associada a maior risco de problemas oculares ao longo da vida, o que torna a prevenção e o controle da progressão especialmente relevantes.
“Ter miopia significa apresentar o erro refrativo. Miopia em progressão significa que esse grau está aumentando ao longo do tempo”, destaca Carvalho.

Para os pais, a orientação envolve medidas simples: estimular atividades ao ar livre, evitar longos períodos ininterruptos de visão próxima, manter uma distância confortável de leitura e dispositivos e realizar avaliações oftalmológicas periódicas.

“Detectar a miopia precocemente permite não só devolver uma visão nítida à criança, mas também identificar quem apresenta risco de progressão e agir no momento em que temos maior oportunidade de modificar sua evolução”, conclui o especialista.

*Informações Assessoria de Imprensa

Publicidade

Cunho
Responsável pelo conteúdo:
saudedebate.com.br
Privacidade e Termos de Uso:
saudedebate.com.br
Site móvel via:
Plugin WordPress AMP
Última atualização AMPHTML:
27.08.2026 - 18:27:31
Uso de dados e cookies: