A chegada de um bebê costuma mobilizar toda a família e, no Brasil, os avós seguem sendo um dos principais pilares da rede de apoio durante o puerpério. Em um contexto marcado por jornadas de trabalho intensas, a presença de familiares contribui para a recuperação física e emocional da pessoa puérpera e para o fortalecimento do vínculo com o recém-nascido.
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Ao mesmo tempo, a evolução do conhecimento científico sobre os cuidados materno-infantis faz com que antigos costumes precisem ser revisitados, tornando o diálogo entre gerações cada vez mais importante.
Dados da Fundação Oswaldo Cruz mostram que o suporte familiar está entre os fatores de proteção para a saúde mental no pós-parto, período de intensas mudanças hormonais, emocionais e sociais.
De acordo com o estudo da entidade, estima-se que entre 10% e 20% das mulheres desenvolvem depressão pós-parto, condição que pode ser amenizada quando há a presença de uma rede de apoio ativa, acolhedora e bem orientada. Nesse cenário, os avós desempenham um papel fundamental ao oferecer assistência, auxiliar nas tarefas domésticas e compartilhar os cuidados com o bebê, reduzindo a sobrecarga. .
No entanto, muitas práticas relacionadas aos primeiros dias do recém-nascido mudaram nas últimas décadas. Se antes era comum colocar o bebê para dormir de lado ou de bruços, hoje a orientação é que ele durma sempre de barriga para cima, posição considerada a mais segura para reduzir o risco da Síndrome da Morte Súbita Infantil.
Também era frequente a introdução à água, chás ou outros líquidos para aliviar cólicas ou matar a sede, mas atualmente o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde recomendam o aleitamento humano exclusivo até os seis meses de vida, já que o leite supre todas as necessidades nutricionais e de hidratação do bebê nesse período.
Outra mudança importante diz respeito ao manejo do coto umbilical: o uso de faixas, moedas, pó de café, álcool ou receitas caseiras deram lugar à higienização simples, seguindo as orientações dos profissionais de saúde. Até mesmo o colo, antes associado ao risco de “acostumar mal” o bebê, hoje é reconhecido como uma prática essencial para fortalecer o vínculo afetivo, proporcionar segurança emocional e favorecer o desenvolvimento infantil.
A experiência dos avós continua sendo valiosa, mas deve caminhar lado a lado com as recomendações atualizadas . Segundo Elita Valentim, assistente social do Hospital Maternidade Paulino Werneck, do Rio de Janeiro, o segredo para uma convivência harmoniosa está na construção de um cuidado compartilhado.
“Os avós têm um papel insubstituível no acolhimento durante o puerpério. Além da ajuda prática, contribuem para reduzir o sentimento de isolamento que muitas pessoas vivenciam
após o parto. Ao mesmo tempo, é importante compreender que a assistência à saúde evolui continuamente. Quando tradição e ciência dialogam, todos ganham”, afirma.
Elita também informa que envolver toda a rede de apoio nas orientações prestadas durante o pré-natal e no acompanhamento pós-parto é uma estratégia que fortalece o cuidado e reduz conflitos provocados por informações desatualizadas.
Ao promover um ambiente baseado na escuta, no respeito e na atualização constante dos conhecimentos, profissionais de saúde e familiares contribuem para um puerpério mais seguro, acolhedor e saudável, transformando a experiência acumulada pelas gerações anteriores em uma aliada da ciência e do bem-estar.