O desafio de afastar crianças e adolescentes das telas tem preocupado cada vez mais famílias — e, o professor Ivo Lavor, novamente reforça o tema. O educador retomou o debate sobre o uso excessivo de dispositivos digitais e explicou como identificar sinais de dependência e reduzir os danos.
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Para Lavor, o cenário atual é resultado de um fenômeno global. Ele lembra que diversas pesquisas internacionais vêm mostrando impactos profundos no cérebro e no desenvolvimento infantil.
“As crianças estão em um cenário super preocupante. São impactos negativos que têm preocupado as autoridades, as famílias e os educadores”, destacou.
Primeiro passo: identificar se a criança está “viciada”
O professor afirma que a avaliação começa pela rotina. “Se o filho de 3 a 7 anos usa mais de três horas de telas diariamente, já pode ser considerada uma criança viciada em tela. Não é normal que uma criança passe três horas ou mais em uma tela”, alertou.
Mas o tempo, segundo ele, não é o único indicador. O comportamento também diz muito. “São crianças que normalmente estão sempre irritadas, birrentas, desatentas para as pautas do dia. As telas, uma das coisas que elas promovem, é o fato de o dia, da pauta diária, ficar entediante, porque a tela é uma injeção de dopamina no cérebro. Então tudo que é normal passa a ser uma coisa muito custosa para a criança realizar, e ela tem uma certa apatia sobre a vida normal.”
“Tire as telas — mas esteja pronto para encontrar uma criança”
Sobre como retirar ou reduzir o uso, Lavor foi direto: isso exige envolvimento da família. “Lembre: tire, retire as telas. Agora, lembre-se que ao retirar as telas vai aparecer uma criança. E dentro da palavra criança existe a palavra ‘cria’. Então existe ali uma cria, e você precisa substituir as telas por atividades com você. Não é terceirizar isso”, afirmou.
Ele explica que a “cria” precisa de estímulo à criatividade — e que o processo é mais simples do que parece. A retirada deve ser gradual, mas não substituída por uma agenda cheia de compromissos externos. “Não é substituir por natação, aulas de inglês, por exemplo. Não é encher a criança de atividades com outras pessoas. É você se envolver com as crianças — você, pai e mãe, ter um tempo de qualidade com seus filhos”, concluiu.