O excesso de açúcar na infância pode programar o metabolismo para o futuro, alerta especialista

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(Foto: prostooleh/Freepik)

O consumo exagerado de açúcar durante a infância pode deixar marcas mais profundas do que apenas alterações no peso corporal imediato. Segundo o neurocientista , hábitos alimentares precoces podem influenciar o funcionamento metabólico por muitos anos, criando adaptações celulares que favorecem o ganho de peso na vida adulta.

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De acordo com o especialista, o organismo infantil possui elevada plasticidade biológica. Isso significa que o corpo ainda está em fase intensa de adaptação, aprendizado fisiológico e organização metabólica. Nesse contexto, a exposição frequente a grandes quantidades de açúcar pode modificar a forma como as células produzem e utilizam energia.

“As mitocôndrias, responsáveis pela produção de ATP, que é a principal moeda energética das células, podem adaptar seu funcionamento ao excesso constante de glicose. O problema é que essa adaptação pode permanecer ao longo do tempo”, explica Fabiano de Abreu Agrela, Pós-Doutor em Neurociências com Especialização em Nutrição Clínica pela Training House, em Portugal.

O pesquisador destaca que muitas crianças apresentam metabolismo acelerado e, por isso, nem sempre demonstram ganho de peso imediato, mesmo consumindo grandes quantidades de doces e ultraprocessados. Isso, porém, não significa ausência de impacto biológico.

“A criança frequentemente consegue compensar excessos energéticos por alguns anos. O que muitas pessoas não percebem é que existe uma reorganização metabólica silenciosa acontecendo. A célula aprende a lidar com estímulos elevados de glicose e isso pode influenciar a sensibilidade à insulina e o armazenamento energético no futuro”, afirma.

Essa adaptação metabólica é descrita por alguns pesquisadores como uma forma de “memória celular”, um processo em que padrões repetitivos de alimentação alteram mecanismos bioquímicos, hormonais e mitocondriais. Embora o termo não represente memória consciente, ele ajuda a ilustrar como o organismo responde de maneira duradoura aos estímulos recebidos durante fases críticas do desenvolvimento.

O especialista observa que a infância representa um período particularmente sensível porque o cérebro também participa diretamente da regulação alimentar. Sistemas ligados à recompensa, ao prazer e à motivação tornam-se mais responsivos quando expostos continuamente a alimentos altamente palatáveis.

“Não se trata apenas de calorias. O açúcar ativa circuitos dopaminérgicos relacionados à recompensa. Quando isso ocorre de forma frequente desde cedo, o cérebro pode passar a buscar padrões alimentares mais intensos para atingir o mesmo nível de satisfação”, comenta.

Nos últimos anos, estudos em metabolismo e neurociência nutricional têm investigado como alimentação precoce influencia obesidade, inflamação crônica, resistência à insulina e doenças metabólicas na vida adulta. O tema ganhou força especialmente após pesquisas demonstrarem que alterações metabólicas podem surgir décadas antes dos sintomas clínicos mais evidentes.

Para Dr. Fabiano, o debate não deve ser conduzido com radicalismo alimentar, mas com consciência preventiva.

“O objetivo não é demonizar o açúcar, e sim compreender que o organismo infantil está em construção biológica. O que se repete na infância tende a moldar respostas metabólicas futuras. Alimentação também é informação para o corpo”, conclui.

*Informações Assessoria de Imprensa
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