Estresse, ansiedade e depressão podem tornar a jornada para engravidar mais difícil e impactar o tratamento

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(Foto: Freepik)

A fertilidade não é apenas um fenômeno biológico. Ela acontece em um corpo vivo, que pensa, sente, reage e dá significado às experiências. E é neste contexto que a saúde mental desempenha um papel fundamental em toda a jornada reprodutiva, especialmente quando há diagnóstico de infertilidade e início de tratamentos, que costumam trazer pressão, medo, frustração e uma rotina intensa de exames, consultas e medicações.

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 1 em cada 6 pessoas vive a infertilidade em algum momento da vida. Por isso, é necessário aumentar a atenção sobre o quanto sentimentos como estresse, ansiedade e depressão podem afetar o organismo e também o comportamento necessário para sustentar o tratamento.
Para a psicóloga clínica Joliane Prado, da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e especialista em saúde emocional da mulher, olhar para a saúde mental não é “extra”, mas sim parte fundamental do cuidado: “A fertilidade acontece em um corpo que vive experiências e significados. Quando o sofrimento emocional se acumula, ele pesa na rotina, nas decisões e na forma como a pessoa atravessa cada etapa”, explica.

Estresse crônico: quando o corpo entra em “modo alerta” por tempo demais
O estresse crônico é um dos fatores emocionais mais estudados na relação com a fertilidade. Em tratamentos de infertilidade, muitas mulheres e casais relatam medo de falhar, receio de não engravidar e cobrança interna constante. Nessa condição, o corpo permanece em estado contínuo de alerta, elevando de forma persistente os níveis de cortisol, conhecido como o hormônio do estresse: “Esse excesso, com o passar do tempo, pode desregular a liberação de hormônios ligados à reprodução, interferir na ovulação e afetar o funcionamento de todo o organismo”, afirma Joliane. 
O aumento dos níveis de estresse também podem aumentar a tensão muscular, reduzir libido, prejudicar o sono e o bem-estar. Diferentes estudos, entre eles um realizado pelo Instituto Valenciano de Infertilidade (Espanha), apontam uma grande associação entre níveis de cortisol elevados e sintomas de ansiedade e depressão em contextos de infertilidade.

A ansiedade tende a “acelerar” corpo e mente, com aumento de adrenalina, dificuldade de concentração e menor autorregulação. Já a depressão pode reduzir energia, motivação e esperança, impactando o engajamento no processo e a qualidade de vida durante o tratamento: “Muitas mulheres relatam maior dificuldade para lembrar horários de medicação, seguir orientações da equipe e manter hábitos de autocuidado quando estão emocionalmente sobrecarregadas e ansiosas. No caso das tentantes que desenvolvem depressão ou passam por uma crise depressiva no processo, a dificuldade é em manter a aderência aos tratamentos, porque o nível de desesperança pode crescer muito”, pontua a psicóloga.

O emocional também interfere na tomada de decisão: pressa para iniciar ciclos, dificuldade de avaliar riscos e tolerância menor a pausas podem levar a escolhas impulsivas ou confusas. Somando esses fatores, o estresse e a ansiedade podem aumentar a irritabilidade e os conflitos no relacionamento, fragilizando a parceria justamente quando ela é mais necessária.
Acompanhamento psicológico e estratégias práticas para atravessar o processo

Diante desse cenário, Joliane destaca que a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) reúne intervenções que ajudam a preservar a saúde mental e fortalecer a experiência reprodutiva. Entre elas:

  • Psicoeducação: entender como estresse e ansiedade atuam no corpo reduz a culpa e amplia senso de controle.
  • Regulação emocional: técnicas como respiração diafragmática e relaxamento muscular progressivo ajudam a desacelerar em momentos de pico emocional.
  • Trabalho com pensamentos automáticos: reestruturar interpretações negativas para avaliações mais realistas (não é “pensar positivo”, é recuperar clareza).
  • Organização da rotina: planejamento de tarefas e hábitos de autocuidado para sustentar medicações, sono e alimentação.
  • Rede de apoio: fortalecer suporte de parceiro(a), família, grupos e equipe de saúde, reduzindo isolamento.

    “Cuidar do emocional não ‘cura’ a infertilidade, mas cria um terreno psicológico e comportamental mais estável para que o tratamento aconteça da melhor forma possível. Quando corpo e mente atuam de forma integrada, a jornada tende a ser mais humana e, muitas vezes, isso melhora a experiência ao longo do caminho”, conclui a psicóloga.

*Informações Assessoria de Imprensa

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