
O crescimento acelerado do mercado de apostas esportivas e jogos de azar no Brasil tem acendido um alerta entre especialistas de saúde mental. Com a popularização dos aplicativos de apostas online e cassinos virtuais, cada vez mais pessoas desenvolvem quadros de dependência, condição que afeta diretamente o equilíbrio emocional, a vida social e até a saúde física dos jogadores. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o transtorno do jogo já é reconhecido como uma doença mental, classificada como distúrbio do controle dos impulsos. No Brasil, estima-se que entre 1% e 3% da população sofra de algum nível de transtornos com jogos e apostas, número que tende a crescer com a facilidade de acesso e a ilusão do enriquecimento fácil e rápido.
Leia também – 1,4 milhão de brasileiros tem transtorno de jogo, aponta estudo inédito
A dependência em jogos de azar está frequentemente associada a sintomas como ansiedade, irritabilidade, insônia e isolamento social. Em casos mais graves, o vício pode levar ao endividamento excessivo, comprometimento das relações familiares e geração de pensamentos suicidas. “O apostador compulsivo entra em um ciclo difícil de quebrar. A cada perda, surge a necessidade psicopatológica de apostar novamente para tentar recuperar o dinheiro, o que intensifica a frustração, o endividamento e o sofrimento psíquico”, explica Cristiano Costa, psicólogo clínico e organizacional e diretor de conhecimento da EBAC – Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo.
Pesquisas recentes reforçam a preocupação. Um levantamento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) apontou que jogadores com perfil de dependência apresentam índices de depressão e ideação suicida até três vezes maiores do que a população em geral. Além disso, jovens entre 18 e 25 anos estão entre os mais vulneráveis, já que passam mais tempo em ambientes digitais e tendem a ser mais suscetíveis à promessa de ganhos rápidos. “Os jovens, em especial, são atraídos pela ideia de ganhar recursos rapidamente, mas acabam entrando em uma espiral que compromete tanto a saúde mental quanto a financeira. Esse é um público que precisa de atenção redobrada”, acrescenta Cristiano.
No contexto do Setembro Amarelo, campanha nacional de prevenção ao suicídio, especialistas reforçam que a dependência em jogos e apostas precisa ser tratada como um problema de saúde pública. “Não se trata apenas de uma questão econômica, mas de um transtorno que pode colocar vidas em risco. Reconhecer os sinais e buscar ajuda profissional é fundamental”, alerta o psicólogo. Além do acompanhamento médico e psicológico, grupos de apoio mútuo como os Jogadores Anônimos desempenham papel importante na recuperação, e terapias cognitivas e comportamentais têm mostrado resultados eficazes no controle da compulsão.
A recente regulamentação das apostas esportivas no Brasil abre espaço para discussões sobre a responsabilidade das empresas e a necessidade de políticas públicas que protejam os consumidores. Campanhas de conscientização, limites de gasto nos aplicativos e restrição da publicidade direcionada a jovens são medidas consideradas urgentes por especialistas. Para a população em geral, o recado do Setembro Amarelo é claro: falar sobre saúde mental salva vidas. No caso específico da dependência em jogos, abrir o diálogo sem julgamentos pode ser o primeiro passo para que quem sofre com o problema busque ajuda.
*Informações Assessoria de Imprensa
Acompanhe as notícias de Saúde & Bem Estar clicando aqui






