Brasil pode ultrapassar 500 mil afastamentos por transtornos mentais em 2025

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(Foto: Freepik)

O Brasil vive um recorde histórico de afastamentos do trabalho por transtornos mentais. Dados consolidados da Previdência Social referentes a 2024 e números parciais de 2025 revelam um crescimento acentuado e contínuo das licenças médicas concedidas por problemas de saúde mental.

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Em 2024, foram registradas 472.328 concessões de benefícios por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença) relacionadas a transtornos mentais, um aumento de 68% em relação a 2023, quando foram contabilizados 283.330 casos. Entre os principais diagnósticos estão os transtornos de ansiedade (CID F41), com 141.414 afastamentos, seguidos por episódios depressivos (CID F32), com 113.604 casos, e transtorno afetivo bipolar (CID F31), responsável por 51.314 licenças.

A tendência se mantém em 2025. Entre janeiro e setembro, os dados abertos do governo federal já apontam 403.085 afastamentos, número que reforça a projeção de que o ano deverá ser encerrado com mais de 500 mil concessões, estabelecendo um novo recorde histórico. Os indicadores parciais confirmam que este será o quinto ano consecutivo de crescimento, evidenciando que o problema deixou de ser pontual e passou a ter caráter estrutural. As mulheres representam 64% dos afastamentos, com idade média de 41 anos, refletindo a sobrecarga da dupla jornada, segundo dados da ONU Brasil.

Para o psicólogo e psicanalista Francisco Nogueira, o cenário é consequência de dois fatores centrais. O primeiro está relacionado a um equívoco nos ideais socialmente valorizados. “O que estamos sacrificando para sustentar a imagem do que acreditamos estar conquistando? A exigência de ser magro, bonito e feliz o tempo todo não condiz com a realidade da vida. A conta chega na saúde mental quando percebemos que não damos conta e nos tornamos servos desses ideais”, analisa. Segundo o especialista, esse desgaste contínuo leva ao esgotamento emocional e psicológico.

O segundo fator diz respeito à precarização da vida. Além dos resquícios da pandemia, o especialista aponta um ambiente marcado por insegurança constante. “Vivemos em um mundo cada vez mais instável, no qual não nos sentimos seguros no trabalho, ao sair às ruas ou diante das exigências financeiras. Essa sensação permanente de incerteza e ansiedade contribui diretamente para o aumento dos casos de burnout”, explica.

Além da análise dos números, Francisco destaca a importância de ampliar o debate público sobre saúde mental. “Trazer esse tema para a discussão é fundamental para conscientizar a sociedade e avançar na construção de políticas públicas. Ainda há subnotificação: os casos são muito mais numerosos do que os dados oficiais conseguem mostrar”, alerta.

*Informações Assessoria de Imprensa

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