Seja aos 18 ou aos 40 anos, quem nunca se questionou sobre sua vida: será que estou feliz no trabalho? Será que estou com a pessoa certa? Será que quero ter filhos? Será que mudo de país? “A inquietude sobre a vida é normal, já que somos seres em constantes transformações, influenciados também pelas mudanças aceleradas do mundo exterior. O problema é quando não se consegue lidar com os questionamentos, gerando uma crise existencial”, afirma Monica Machado, psicóloga, fundadora da Clínica Ame.C, pós-graduada em Psicanálise e Saúde Mental pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein.
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A crise existencial se inicia com algum tipo de insatisfação, um questionamento sobre um aspecto específico da vida, gerando uma angústia constante e diária. Segundo a psicóloga, quando a situação chega a um ponto intolerável, a pessoa passa a ter confusão com a própria identidade, desencadeando uma preocupação crônica com seu propósito de vida.
“As crises e adversidades da vida ocorrem de modo quase sempre imprevisível. A forma de lidar com elas dependerá, em boa parte, da resiliência, da capacidade de encarar mudanças e de tomar decisões”, reflete Monica Machado.
De modo geral, os questionamentos encontram respostas que tranquilizam, e a pessoa segue sua trajetória relativamente bem consigo mesma. Porém, em algumas situações, o indivíduo fica refém do seu próprio conflito.
Um dos principais motivos é o medo da responsabilidade da mudança, de se comprometer a novas circunstâncias e abalar sua segurança física e emocional.
“O pavor de tomar decisões que possam mudar todo o rumo de uma vida pode paralisar a pessoa, impedindo a realização dos seus objetivos. Porém, não existe escolha fácil, pois há sempre algo que se perde na tomada de uma decisão. Riscos são parte de mudanças, mas é preciso assumi-los para não limitar sua vida e sua identidade”, aponta Monica Machado.
Entretanto, é possível, sim, modificar suas perspectivas e buscar seu propósito de vida. Confira as dicas:
O fato de um novo comportamento remeter a uma ação definitiva pode gerar uma barreira emocional. A pressão interna é uma delas. A motivação inicial pode se tornar uma armadilha ao provocar um esforço excessivo no começo do processo e uma desistência no meio do caminho.
No entanto, é possível fazer uma reprogramação mental menos penosa, podendo adotar novas mudanças sem sentir pressão por isso. Tente definir seus objetivos em curto, médio e longo prazo, a depender do grau de dificuldade de cada um. Seja realista ao compreender quanto tempo e disponibilidade serão precisos para efetivar suas mudanças.
Identifique o que tem de errado e o que você quer mudar. Pense em quem você é, quais os seus valores, suas metas. Sinta se você está feliz com a vida que leva ou apenas acomodado. Na medida que percebemos nossas prioridades, começamos a enxergar as possibilidades de construir uma nova forma de viver.
Muitas pessoas encaram as mudanças como algo ruim, pois se sentem fora da zona de conforto. Mas, muitas vezes, é preciso abandonar a vida que havíamos planejado, pois já não somos mais as mesmas pessoas. Somos seres em eterna mutação, seja internamente ou pela necessidade de seguir a evolução do mundo.
“Portanto, se você havia feito vários planos, mas depois perdeu a identificação com eles, siga sua intuição e mude a rota. Trace metas que estejam alinhadas com seu ‘eu’ atual, com suas novas perspectivas de vida. Essa evolução te ajudará a fazer escolhas coerentes e a trilhar caminhos mais produtivos, evitando que você perca tempo com aquilo que já não te interessa mais”, pondera Monica Machado.
Se a pessoa já tem algum bloqueio emocional, transtorno de ansiedade ou dificuldade para sair da zona de conforto e se adaptar ao novo, será preciso ajuda profissional para desenvolver o potencial de enfrentar os desafios que surgem a todo instante.
“Psicoterapias proporcionam a possibilidade de desenvolvimento pessoal, a partir da investigação do modo de ser da pessoa. A medida que o indivíduo amplia e aprofunda o conhecimento sobre si mesmo, passa a dispor de novos instrumentos para lidar melhor com os obstáculos e as dúvidas inevitáveis ao longo da vida”, conclui Monica Machado.
*Informações Assessoria de Imprensa
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