O erro de esperar a glicose subir: a importância de identificar a perda de eficiência metabólica

schedule
2026-07-21 | 13:00h
update
2026-07-21 | 16:51h
person
Saúde Debate
domain
Saúde Debate
(Foto: DC Studio/Freepik)

O número de adultos brasileiros com diabetes passou de 5,5% para 12,9% entre 2006 e 2024, segundo o Vigitel 2025, divulgado pelo Ministério da Saúde em janeiro de 2026. No mesmo período, a obesidade cresceu 118% e o excesso de peso avançou 47%. Para o médico, professor e pesquisador Alexandre Duarte, referência em fisiologia metabólica e hormonal e fundador do  Instituto Avantgarde, esses dados mostram que parte da população chega ao diagnóstico quando o metabolismo já emitiu sinais por anos.

Leia também – Alerta na gengiva: sangramento na boca pode dobrar o risco de infarto e agravar o diabetesAMP

Publicidade

Um dos pontos centrais desse processo é a resistência à insulina, condição em que as células passam a responder pior à ação do hormônio responsável por ajudar a glicose a entrar nos tecidos e ser usada como energia. Na prática, o organismo precisa produzir mais insulina para manter a glicose aparentemente normal. Por isso, uma pessoa pode não ter diabetes diagnosticado e, ainda assim, conviver com alterações metabólicas associadas a fadiga, fome frequente, acúmulo de gordura abdominal, inflamação e maior risco cardiovascular.

“O erro é esperar a glicose subir para começar a investigar o metabolismo. Muitas vezes, quando a glicemia aparece alterada, o corpo já passou anos compensando uma resistência à insulina que não foi observada”, afirma Alexandre.

Segundo a Federação Internacional de Diabetes, o Brasil tinha 16,6 milhões de adultos de 20 a 79 anos com diabetes em 2024 e está entre os dez países com maior número de casos no mundo. A entidade projeta que esse total pode chegar a 24 milhões em 2050. Embora a resistência à insulina não seja medida em inquéritos populacionais da mesma forma que o diabetes, ela é reconhecida como um mecanismo importante na trajetória de doenças metabólicas, especialmente no diabetes tipo 2.

O que confunde pacientes

A resistência à insulina costuma avançar sem sintomas específicos. Cansaço após refeições, sonolência, dificuldade para perder gordura, fome pouco tempo depois de comer, vontade frequente de doces, alteração de triglicerídeos, queda do HDL, aumento da circunferência abdominal e pressão arterial elevada podem aparecer antes de um diagnóstico fechado. Isoladamente, esses sinais não confirmam a condição, mas indicam que a investigação deve ir além da balança e da glicose de jejum.

“Uma pessoa pode estar com o peso considerado aceitável, treinar algumas vezes por semana e ainda assim ter um metabolismo pouco eficiente. O corpo não funciona por aparência. Ele funciona por sinais bioquímicos, hormonais e inflamatórios que precisam ser interpretados em conjunto”, diz Alexandre.

Para o médico, um dos equívocos mais comuns é tratar ganho de peso, fadiga e compulsão alimentar como problemas separados. Em muitos casos, segundo ele, esses sintomas participam da mesma rede fisiológica. Quando o organismo passa a depender de níveis mais altos de insulina para executar funções básicas, a regulação da fome, da energia e do estoque de gordura tende a ser afetada.

A discussão também alcança pessoas que buscam emagrecimento rápido. Medicamentos, dietas restritivas e protocolos sem acompanhamento podem reduzir peso em curto prazo, mas não necessariamente corrigem a base metabólica do problema. “Perder peso pode ser importante, mas não é o único marcador de recuperação. O paciente pode emagrecer e continuar inflamado, cansado, com baixa massa muscular e exames que mostram risco futuro”, afirma.

Prevenção começa antes do diagnóstico

A Sociedade Brasileira de Diabetes define o diabetes tipo 2 como uma condição em que o organismo não consegue usar adequadamente a insulina que produz ou não produz quantidade suficiente para controlar a glicemia. Antes desse ponto, porém, há uma janela de prevenção que costuma ser pouco explorada na rotina clínica, especialmente quando os exames tradicionais ainda estão dentro dos valores de referência.

Essa avaliação pode incluir histórico familiar, composição corporal, circunferência abdominal, pressão arterial, perfil lipídico, glicemia, hemoglobina glicada, insulina, marcadores inflamatórios e hábitos de sono, alimentação e atividade física. A recomendação não é transformar sintomas vagos em diagnóstico, mas identificar padrões de risco antes que eles se convertam em doença crônica.

“O metabolismo não quebra de uma hora para outra. Ele perde eficiência aos poucos. A medicina precisa olhar para esse período intermediário, quando ainda há tempo de mudar a rota com mais precisão”, diz Duarte.

Além do impacto individual, a resistência à insulina ajuda a explicar um problema mais amplo de saúde pública. Fadiga, queda de energia, alterações de sono e piora da composição corporal afetam rotina, produtividade, relações familiares e custos assistenciais. O tema também pressiona empresas, planos de saúde e sistemas públicos, que costumam arcar com as consequências quando a prevenção falha.

Segundo o médico, o debate sobre saúde metabólica precisa deixar de ser restrito ao diabetes. “A pergunta não deve ser apenas se a pessoa já está doente. A pergunta é o que o corpo está tentando compensar antes de adoecer. É nessa fase que a prevenção tem mais força”, afirma.

*Informações Assessoria de Imprensa

Publicidade

Cunho
Responsável pelo conteúdo:
saudedebate.com.br
Privacidade e Termos de Uso:
saudedebate.com.br
Site móvel via:
Plugin WordPress AMP
Última atualização AMPHTML:
21.07.2026 - 17:16:54
Uso de dados e cookies: