Alerta na gengiva: sangramento na boca pode dobrar o risco de infarto e agravar o diabetes

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Saúde Debate
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(Foto: zinkevych/Freepik)

Sabe aquela velha frase que diz que “a saúde começa pela boca”? Ela nunca fez tanto sentido para a ciência quanto agora. Médicos e dentistas do país inteiro estão mudando o jeito de olhar para o nosso corpo. A verdade é que a nossa boca não funciona isolada: ela funciona em conjunto com todo o nosso organismo afetando e sendo afetada quando há alguma condição. Quando há acúmulo de placa bacteriana e inflamação crônica da gengiva, microrganismos e mediadores inflamatórios podem ultrapassar os limites da boca e interferir na saúde de todo o organismo.

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O problema é que muita gente acha que um sangramento leve não apresenta nenhum sinal de risco. Dados divulgados em canais acadêmicos, como o Jornal da USP, alertam que pessoas com infecções graves na gengiva têm até duas vezes mais chances de sofrer com problemas no coração, como infarto e AVC. Se a inflamação não for tratada, estes microorganismos e os mediadores da inflamação conseguem entrar na corrente sanguínea, criando um efeito cascata perigoso no organismo.

A conexão real entre a boca, o coração e o diabetes

Esse elo foi detalhado recentemente no relatório oficial da Sociedade Brasileira de Periodontologia em parceria com o Conselho Federal de Odontologia (CFO). Os especialistas explicam que existe uma relação bidirecional entre essas condições.

O assunto ganhou ainda mais urgência após dados do Ministério da Saúde, no relatório Viva Mais Brasil, mostrarem que o número de adultos com diabetes cresceu 135% no país. Pessoas com diabetes apresentam maior predisposição ao desenvolvimento de gengivite e periodontite devido às alterações imunológicas provocadas pela doença. Ao mesmo tempo, a inflamação periodontal dificulta o controle da glicemia, tornando o tratamento do diabetes ainda mais desafiador.

Gengiva sangrando é um sinal de alerta

“A nossa boca é um ecossistema vivo e faz parte do equilíbrio do organismo. Quando a gengiva permanece inflamada por muito tempo, o sistema imunológico trabalha continuamente para combater essa condição. Muitas pessoas acreditam que sangrar durante a escovação é normal, mas esse é um sinal de alerta que merece atenção. Prevenir e tratar essas inflamações é uma forma de proteger não apenas os dentes, mas também a saúde como um todo”, explica Brunna Bastos, mestre e cirurgiã-dentista pela Faculdade de Odontologia da USP e especialista da GUM.

Mudança de hábito como medicina preventiva

Diante dos estudos que unem a medicina e a odontologia, a percepção sobre a higiene bucal no passa por mudanças. Cuidar da saúde bucal deixa de ser visto apenas como uma busca por dentes brancos ou hálito fresco e passa a ser encarado como uma medida essencial de saúde pública e prevenção de doenças crônicas.

Especialistas reforçam que a introdução de ferramentas que limpem com eficácia as áreas entre os dentes, onde a escova comum não alcança, é o caminho para manter o equilíbrio da microbiota da boca. Essa virada de chave na rotina diária funciona como um investimento na longevidade do corpo, mostrando que um gesto simples em casa é capaz de evitar que pequenas inflamações silenciosas se transformem em diagnósticos graves no futuro.

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Cunho
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