O cérebro pode reaprender? Neuroplasticidade abre novas possibilidades para a recuperação de funções perdidas

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(Foto: rawpixel/Freepik)

Durante muito tempo, acreditou-se que as funções cerebrais perdidas após uma lesão dificilmente poderiam ser recuperadas. Hoje, os avanços da Neurociência mostram que o cérebro possui capacidade de adaptação e reorganização por meio da neuroplasticidade, um processo que permite a criação de novos caminhos para recuperar funções comprometidas após diferentes tipos de doenças e lesões neurológicas.

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Segundo o neurologista Breno Barbosa, membro titular da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), a neuroplasticidade representa a capacidade de determinadas áreas cerebrais modificarem sua atuação. “A neuroplasticidade permite a gente entender como algumas áreas do cérebro são capazes de reaprender ou de se reorganizar para assumirem funções que originalmente não eram suas.”

Essa capacidade é observada principalmente em pacientes que sofreram lesões cerebrais, como após um acidente vascular cerebral (AVC), tumores ou traumatismos cranianos. A partir de estímulos adequados, como terapias de reabilitação, o cérebro pode desenvolver novas estratégias para recuperar funções comprometidas.

“Os modelos mais estudados baseiam-se em doenças neurológicas. Por exemplo, caso o paciente tenha uma lesão em uma determinada área do cérebro, seja por um AVC, um tumor ou um trauma craniano, ele geralmente perde a função daquela região. Porém, com o passar das semanas e dos meses, se ele for adequadamente estimulado com as terapias de reabilitação, como fisioterapia, terapia ocupacional ou fonoaudiologia, há chance de que regiões vizinhas à área lesionada se readéquem para aprender parcialmente, ou até totalmente, a função perdida.”

De acordo com o especialista, a neuroplasticidade já faz parte da prática clínica atual, especialmente nos processos de recuperação funcional, mas os próximos anos podem ampliar ainda mais suas aplicações para outras doenças neurológicas. “A gente já usa esse conceito bastante em favor dos pacientes na clínica para a recuperação, e eu acho que, no futuro, é preciso apostar ainda mais na neuroplasticidade para outros tipos de doença, buscando estimular outras áreas do cérebro a melhorar sua função, mesmo na ausência de uma lesão evidente ou de um dano estrutural, como ocorre no AVC ou no traumatismo craniano.”

Os estudos sobre neuroplasticidade reforçam uma nova compreensão sobre o cérebro humano: um órgão capaz de se adaptar, responder a estímulos e buscar novos caminhos diante de desafios. Para a Neurologia, esse conhecimento amplia as possibilidades de reabilitação e abre perspectivas para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas.

*Informações Assessoria de Imprensa