Nem todo mioma precisa ser retirado: especialista elenca os 7 critérios que definem quando operar e quando apenas monitorar

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(Foto: kroshka__nastya/Freepik)

Estima-se que cerca de 2 milhões de brasileiras desenvolvam miomas uterinos a cada ano, segundo dados do Ministério da Saúde. Trata-se de tumores benignos que se formam no tecido muscular do útero e que, apesar de frequentes, ainda são cercados por um equívoco perigoso: a crença de que o diagnóstico equivale, automaticamente, à necessidade de cirurgia.

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Para Thiers Soares, ginecologista especialista em cirurgia robótica e referência internacional no tratamento de miomas, endometriose e adenomiose, essa lógica precisa ser revertida. “Não operamos exames de imagem, operamos mulheres. O achado isolado de um mioma em uma rotina ginecológica nunca deve ser uma sentença de cirurgia imediata. A indicação cirúrgica depende de sintomas, planos reprodutivos e da localização exata do tumor, e não apenas do seu tamanho”, defende o especialista.

Com atuação no Hospital Universitário Pedro Ernesto (UERJ) e no Instituto Fernandes Figueira (Fiocruz), e membro de diretorias das maiores sociedades mundiais de cirurgia minimamente invasiva em ginecologia (SLS e AAGL), Thiers defende que a conduta conservadora deve ser a primeira opção sempre que aplicável. Abaixo, o médico aponta as sete diretrizes clínicas que justificam o monitoramento em vez da mesa de cirurgia:

  1.  Mioma assintomático
    Quando o tumor não provoca dor pélvica, sangramento intenso, pressão abdominal ou alterações na função de órgãos vizinhos, não há indicação cirúrgica. Muitas mulheres descobrem miomas pequenos de forma acidental em exames de rotina, sem qualquer impacto clínico.
  2.  Tamanho reduzido
    Miomas menores que 4 centímetros, sem crescimento acelerado, costumam ser apenas monitorados. A exceção são os submucosos, localizados dentro da cavidade uterina, que exigem avaliação diferenciada independentemente do tamanho, pois podem comprometer a fertilidade.
  3.  Localização favorável
    Na ginecologia moderna, a localização do mioma importa tanto ou mais que o seu tamanho. Miomas situados na parte externa do útero ou dentro do miométrio (camada muscular), sem interferência na cavidade uterina, geralmente não requerem tratamento cirúrgico. A localização é um dos fatores mais determinantes na decisão terapêutica.
  4.  Ausência de impacto na qualidade de vida
    Quando o mioma não interfere na rotina, no trabalho ou no bem-estar emocional da paciente, o monitoramento periódico é a estratégia mais segura e menos invasiva, permitindo que a mulher siga sua vida sem as ansiedades e os riscos desnecessários de um pós-operatório.
  5.  Preservação da fertilidade
    Em mulheres que desejam engravidar, a cirurgia só é indicada quando há evidência de que o mioma representa um risco real para a concepção ou para a gestação. Em muitos casos, os tumores não interferem na capacidade reprodutiva e uma abordagem conservadora é preferível.
  6.  Proximidade da menopausa
    Miomas são estrogênio-dependentes: com a queda hormonal natural da menopausa, tendem a regredir espontaneamente. Mulheres nessa fase de transição, sem sintomas graves, frequentemente se beneficiam de uma espera ativa com acompanhamento regular.
  7.  Preferência da paciente por abordagem não cirúrgica
    A autonomia da paciente é um pilar do cuidado. Quando ela opta por evitar a cirurgia, desde que devidamente informada sobre riscos e benefícios e mantida em acompanhamento clínico rigoroso, essa decisão deve ser respeitada e sustentada pelo especialista.

Quando o monitoramento é a estratégia e quais sinais exigem reavaliação
Quando a cirurgia não está indicada, o acompanhamento regular é fundamental. O protocolo inclui exames físicos periódicos, ultrassonografia e, em alguns casos, ressonância magnética para avaliar a evolução do mioma ao longo do tempo.

Os sinais de alerta que devem levar à reavaliação imediata incluem:

  • Crescimento acelerado do tumor
  • Surgimento ou intensificação de sintomas como dor ou sangramento
  • Comprometimento de órgãos vizinhos, como bexiga ou intestino
  • Dificuldades para engravidar ou complicações durante a gestação

“A medicina entende que o tempo e o monitoramento correto são ferramentas terapêuticas poderosas. Tratar miomas com responsabilidade é saber quando intervir com a máxima precisão tecnológica, e quando ter a sabedoria clínica de apenas acompanhar. A melhor cirurgia ainda é aquela indicada na hora certa, para a paciente certa”, finaliza Thiers.

*Informações Assessoria de Imprensa