Dia Internacional do Autocuidado: o verdadeiro bem-estar começa de dentro para fora

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(Foto: wayhomestudio/Magnific)

As redes sociais estão repletas de imagens que associam autocuidado a velas aromáticas, massagens, viagens, e outras fórmulas que prometem conduzir a esse caminho. No entanto, existe uma pergunta que raramente fazemos: quem é, realmente, a pessoa que está sendo cuidada?  

Sem autoconhecimento, cuidar de si corre o risco de se tornar apenas um conjunto de hábitos ou uma tentativa de aliviar o cansaço diário, sem compreender o que de fato importa ou o que nos leva a agir de determinada maneira diante das situações da vida. É como cuidar das folhas de uma árvore enquanto ignoramos a importância de suas raízes para a sua sobrevivência. 

Autocuidado é, antes de tudo, um encontro consigo mesmo. Um encontro que nem sempre é confortável, porque exige coragem para olhar para dentro, reconhecer limites, acolher suas fragilidades e também enxergar potenciais que permaneceram escondidos durante anos. 

Esse movimento nos convida justamente a interromper o ciclo do piloto automático em que tantas vezes vivemos. Convida-nos a fazer pausas conscientes para observar nossos pensamentos, crenças, emoções, padrões de comportamento e relações que parecem se repetir ao longo da vida.  

Carl Gustav Jung dizia que aquilo que permanece inconsciente dirige nossa vida, e nós chamamos isso de destino. Essa reflexão nos lembra que muitas escolhas são feitas a partir de feridas não reconhecidas, crenças limitantes, medos antigos e até comportamentos herdados de nossos ancestrais. Enquanto não iluminamos essas partes de nós, continuamos apenas reagindo à existência. 

Não estamos falando de alcançar uma versão perfeita de si mesmo, mas de cultivar uma relação mais verdadeira consigo. Essa jornada pode incluir, entre outras coisas, momentos de silêncio, terapia, leitura de um bom livro, escrita terapêutica, meditação, contato com a natureza ou, simplesmente, o exercício de estar verdadeiramente presente, sem permanecer preso ao passado ou excessivamente preocupado com o futuro. 

Cada pessoa encontrará seu próprio caminho, aquilo que faz sentido para sua realidade. O importante é compreender que nenhuma técnica, afirmação positiva ou ferramenta produzirá transformação se não houver disposição para a mudança e compromisso com a própria caminhada.  

Não podemos controlar tudo o que acontece ao nosso redor. Se pensarmos bem, controlamos muito pouco. Mas podemos escolher a maneira como respondemos aos acontecimentos. Essa postura fortalece nossa autonomia emocional e nos torna menos dependentes da validação externa. 

Quando nos conhecemos melhor, deixamos de buscar no outro aquilo que somente nós podemos nos oferecer. Nossa autoestima se fortalece. Deixamos de depender exclusivamente do reconhecimento alheio, e o amor-próprio passa a ser consequência. Aos poucos, aprendemos a apreciar o silêncio e a desfrutar da nossa própria companhia. Autocuidado começa pelo autoconhecimento porque somente quem se conhece pode aproveitar o melhor de si de maneira integral. 

*Rosilda Amorim é Terapeuta Holística e Junguiana e autora do livro O Buscador do Autoconhecimento: Um caminho de volta a si

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