
Quando o assunto é fígado, a associação mais imediata costuma ser com bebida alcoólica. Mas o excesso de açúcar, especialmente na forma de refrigerantes, néctares, refrescos industrializados e outras bebidas ultraprocessadas, também vem ganhando espaço no debate sobre doenças hepáticas. No Maio Vermelho, mês dedicado à conscientização sobre prevenção e tratamento das hepatites, médicos alertam que o cuidado com o fígado precisa ir além do álcool e incluir o padrão alimentar do dia a dia.
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O Brasil segue monitorando as hepatites virais, que continuam sendo um importante problema de saúde pública. Segundo o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde, o país confirmou 826.292 casos entre 2000 e 2024. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com quadros de inflamação e acúmulo de gordura no fígado ligados à disfunção metabólica, condição associada a fatores como excesso de açúcar, sobrepeso e resistência à insulina.
Para Mariana Wogel, especialista em nutrologia e medicina integrativa, esse é um ponto que ainda recebe menos atenção do que deveria. “Muita gente ainda associa problema no fígado apenas ao álcool, mas o excesso de açúcar também é uma forma importante de sobrecarga metabólica. Refrigerantes e bebidas açucaradas entram na rotina com muita facilidade e, quando o consumo se torna frequente, isso pode comprometer a saúde hepática”, afirma.
Estudos recentes apresentados em congressos internacionais reforçam essa preocupação. Uma pesquisa divulgada em 2025 associou o consumo diário de bebidas açucaradas a maior risco de doença hepática associada à disfunção metabólica. Os pesquisadores destacaram que essas bebidas favorecem picos de glicose e insulina, ganho de peso e acúmulo de gordura no fígado.
Segundo Mariana, o problema não está apenas no volume, mas na repetição do hábito. “Quando refrigerantes, sucos artificiais e outras bebidas açucaradas passam a fazer parte da rotina, o fígado fica exposto a uma agressão contínua. Isso vale especialmente para pessoas que já têm resistência à insulina, excesso de peso, gordura no fígado ou outras alterações metabólicas”, diz.
A médica também chama atenção para um mito antigo que ainda circula entre pacientes e familiares: a ideia de que pessoas com hepatite precisam comer muito doce para se recuperar. Segundo ela, essa orientação não se sustenta. “Esse é um mito antigo que precisa ser abandonado. Quem está com hepatite não precisa comer doce. O excesso de açúcar não ajuda o fígado inflamado e pode aumentar ainda mais a sobrecarga metabólica”, afirma.
Na prática, a recomendação é oposta. Durante quadros de inflamação hepática ou comprometimento do fígado, a alimentação deve priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, com refeições mais leves, melhor distribuídas ao longo do dia e menos produtos ultraprocessados. Frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais, tubérculos e proteínas magras costumam ser melhor aceitos nesse contexto. Já refrigerantes, doces em excesso, frituras, embutidos, fast food e bebidas industrializadas tendem a aumentar a carga metabólica sobre o organismo.
Outro ponto que permanece inegociável, segundo a especialista, é a exclusão de bebida alcoólica durante quadros de hepatite. “Álcool não pode ser consumido quando o fígado está inflamado. Esse continua sendo um cuidado básico, mas hoje é importante reforçar que ele não é o único. O excesso de açúcar também precisa entrar nessa conversa”, afirma Mariana.
Para a médica, o principal erro é tentar compensar excessos com soluções rápidas. “Não adianta manter um padrão de consumo ruim e depois apostar em detox ou restrições radicais. O fígado responde muito melhor à constância, à redução de excessos e a uma alimentação mais equilibrada”, diz.
No Maio Vermelho, o alerta é claro: cuidar do fígado passa também por rever o que se bebe todos os dias. “Quando se fala em prevenção e tratamento das hepatites e em saúde hepática, não dá para ignorar o impacto dos refrigerantes, das bebidas açucaradas e do excesso de açúcar na rotina. Esse também é um fator importante de agressão ao fígado”, conclui Mariana Wogel.
*Informações Assessoria de Imprensa










