A baixa umidade do ar, comum nos dias de inverno nas regiões Sul e Sudeste do país, pode ser especialmente prejudicial à saúde dos olhos. Esse cenário acende um alerta para o aumento dos casos da Síndrome do Olho Seco, condição que ocorre quando há alterações no filme lacrimal, a fina película que recobre a superfície dos olhos e é responsável por mantê-los protegidos, lubrificados e nutridos. Quem faz o alerta é o chefe do Centro de Oftalmologia do Hospital IPO, de Curitiba (PR), Eduardo Miranda.
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“A Síndrome do Olho Seco é uma doença multifatorial da superfície ocular e do filme lacrimal. O filme lacrimal é responsável pela manutenção da homeostase da superfície ocular e sua estabilidade depende da interação entre as camadas aquosa e lipídica. Durante o inverno, a baixa umidade do ar e a permanência em ambientes climatizados favorecem a evaporação da lágrima, comprometendo esse equilíbrio e intensificando os sintomas”, explica.
Sinais de alerta
Quando o filme lacrimal perde sua estabilidade, a superfície ocular fica mais exposta ao atrito e às agressões externas. Embora muitas pessoas associem o problema apenas a um ressecamento pontual, a doença pode provocar diferentes manifestações e comprometer a qualidade da visão.
O sintoma mais característico é a sensação de corpo estranho, descrita pelos pacientes como areia nos olhos. Também são frequentes ardência, coceira ocular e vermelhidão. “Nos casos mais avançados, pode evoluir com borramento visual, fotofobia e lacrimejamento reflexo, que é um mecanismo compensatório diante da deficiência do filme lacrimal”, afirma Miranda.
Apesar desse aumento da produção de lágrimas, a lubrificação continua inadequada. Com isso, a superfície ocular permanece desprotegida, favorecendo inflamações e, nos casos mais graves, lesões na córnea.
Grupo de risco
A condição pode afetar pessoas de qualquer idade, mas alguns grupos apresentam maior predisposição ao desenvolvimento da doença. O envelhecimento natural, alterações hormonais e alguns hábitos do dia a dia podem comprometer a qualidade do filme lacrimal e favorecer sua evaporação.
“Os idosos e especialmente as mulheres após a menopausa, apresentam maior predisposição em razão da atrofia das glândulas de Meibômio, responsáveis pela produção da camada lipídica do filme lacrimal. Usuários de lentes de contato e indivíduos que permanecem longos períodos em frente às telas também apresentam maior risco porque reduzem a frequência do piscar, comprometendo a renovação do filme lacrimal e aumentando sua evaporação”, explica o especialista.
As glândulas de Meibômio estão localizadas nas pálpebras e produzem a camada lipídica, que envolve a gordura da lágrima, essencial para reduzir sua evaporação. Segundo o oftalmologista, alterações nessas estruturas estão entre as principais causas do chamado olho seco evaporativo.
Automedicação pode agravar o problema
Ao perceber sintomas persistentes, a recomendação é evitar a automedicação. Muitos colírios vendidos sem prescrição aliviam temporariamente a vermelhidão dos olhos, mas não tratam a causa da doença e podem até agravar o quadro quando utilizados de forma indiscriminada.
“Colírios com vasoconstritores apenas mascaram a hiperemia conjuntival e podem desencadear efeito rebote com o uso contínuo. Já os corticoides tópicos apresentam risco de elevação da pressão intraocular e devem ser utilizados exclusivamente sob acompanhamento médico. Sempre que possível, indicamos lubrificantes sem conservantes, que oferecem maior segurança para a superfície ocular”, orienta.
Como proteger os olhos
Além da consulta periódica com o oftalmologista, alguns cuidados simples ajudam a preservar a saúde ocular durante o inverno. Manter a hidratação, fazer pausas durante o uso prolongado de computadores e celulares, piscar conscientemente com mais frequência e evitar a exposição direta ao ar-condicionado são algumas das medidas recomendadas.
“A prevenção está diretamente relacionada à manutenção da estabilidade do filme lacrimal. Isso inclui reduzir fatores que aumentam sua evaporação, utilizar lubrificantes sem conservantes quando indicados, proteger os olhos da radiação ultravioleta e realizar avaliação oftalmológica periódica. Diante de qualquer alteração visual persistente, o paciente deve procurar atendimento especializado”, conclui.
*Informações Assessoria de Imprensa