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Cuidado integral de si

O que você tem feito para ficar bem?

por Jociane Casellas

26/05/2021
Créditos: Pixabay

Responda rápido:


Como está sua saúde física? Sono, alimentação, exercícios, exames?

Tem conseguido cuidar da sua saúde mental e emocional?

Tem conseguido cuidar dos aspectos sociais da sua vida?

Como está sua espiritualidade?

Sente-se feliz com sua escolha e desempenho profissional?

O que você tem feito como forma de lazer e entretenimento?

 

Como foi pra você responder a essas perguntas?


Você sabia que são todas essas dimensões nos constituem enquanto pessoa? E que nossa história de vida, nossas origens, nossa programação genética nos torna um ser único, singular, biográfico, integral, indissociável?


Como seres integrais que somos, quando uma dessas esferas não estão bem, em desarmonia ou fragilizada, invariavelmente outras também poderão ser afetadas.


O contrário também é verdadeiro, quando estamos nos sentindo plenos, vivenciando um estado de saúde integral, em harmonia e em conexão com nossa essência, todas as dimensões que nos constituem sentirão impactos positivos desse estado de bem-estar.


Por isso que cuidados, globais e integrais, é mais do que preciso nesse momento de tanta vulnerabilidade que estamos passando.


Vale lembrar o conceito de saúde proposto pela OMS (Organização Mundial da Saúde) que definiu saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas como ausência de doença ou enfermidade.


Gosto de pensar nessa definição incluindo também os aspectos relacionados a nossa espiritualidade, visto que somos seres bio-psico-social-espiritual. Ressaltando claro as devidas distinções entre espiritualidade e religiosidade. Uma pode estar contida na outra, mas não necessariamente, e não são sinônimos. Há pessoas que exercem a sua espiritualidade através de uma religião, e há outras que fazem sua conexão com aquilo que consideram divino e sagrado por outros meios: da natureza, da arte, de um trabalho voluntário, da meditação, dedicação a uma causa específica e tantas outras possibilidades que fazem uma pessoa sentir-se plena na perspectiva da espiritualidade. O caminho para se exercer a espiritualidade é aquele que faz sentido para cada um. E espiritualidade tem justamente a ver com isso, com o sentido que a vida e as coisas que nos circundam têm para nós.


Trago também essas reflexões com objetivo de alertar um pouco mais quanto aos cuidados com nossa saúde mental. Mais do que nunca vivemos num contexto em que cuidar, manter e favorecer a saúde psíquica é imprescindível para que possamos enfrentar as adversidades que vem se impondo. Arrisco dizer que nunca a saúde mental foi entendida como tão importante e necessária como agora. E de toda população, sem exceção.


A rotina de muitas pessoas mudou e vem mudando drasticamente e isso requer constantes adaptações. Para muitos, enfrentar mudanças de rotina é extremamente difícil e por imposição do momento que vivenciamos algumas mudanças ocorrem independente de nossas escolhas e de nossa aprovação. Muitos têm vivenciado perdas das mais diversas ordens, e toda perda pode trazer consigo algum nível de sofrimento.


Mudanças muitas vezes nos desestabilizam, sejam elas na esfera profissional, social, afetiva, familiar, ou no âmbito doméstico. Há coisas que passamos tempos protelando porque temos dificuldade de mexer em algo que parece estar estabilizado, e de repente tudo pode mudar sem que tenhamos nos preparado e nos planejado.


Já outras pessoas são movidas a mudanças e tem dificuldade de se manter num mesmo e determinado contexto por muito tempo. Precisam constantemente mudar a rotina, pois isso faz parte da manutenção sua saúde mental.


Vivemos tempos, agora mais do que nunca, onde o autocuidado e o cuidado do outro tornou-se essencial.


E as demandas são tantas que não é possível cuidar somente de um dos aspectos citados acima. Precisamos olhar para tudo que possa indicar alguma desestabilidade, seja ela de qual ordem for.


Por isso, cuide-se! Aceite ser cuidado e se possível for ofereça ajuda também.


Vivemos um momento de dor e sofrimento, mas ele pode ser de solidariedade também. É preciso deixar que a humanidade que existe em nós, aquilo que nos faz humanos, transborde nesse momento, e que o afeto e o acolhimento possam transcender tanta aflição e angústia. 


* Jociane Casellas é psicóloga formada pela Universidade Tuiuti do Paraná e atua há mais de 10 anos na área da saúde. Pós- graduada em Psicologia Clínica com ênfase na abordagem Sistêmica, pós-graduada em Psicologia Hospitalar e specialista em Psico-Oncologia, com atuação em Cuidados Paliativos. Pós-graduanda em Psicologia Transpessoal e Mestranda em Bioética, além de colunista do portal Saúde Debate


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