Com aumento nos acidentes de trânsito, transfusões de sangue são mais necessárias

Mais da metade dos acidentes de trânsito na capital paranaense, em 2021, envolveu motociclistas. De acordo com o estudo do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), no primeiro quadrimestre de 2021, houve 1.426 acidentes em Curitiba, sendo que 745 envolveram motociclistas. Outro dado preocupante é o aumento no número de mortes nesse tipo de ocorrência. Nos quatro primeiros meses do ano passado, foram cinco mortes em acidentes envolvendo motocicletas, motonetas e ciclomotores. Em 2021, esse número passou para treze mortos e outras 629 pessoas ficaram feridas. Um dos motivos para esses números pode estar no aumento da circulação de motociclistas fazendo entregas durante o isolamento social.

Esse cenário também foi percebido pelas equipes do Hospital Universitário Cajuru, que é referência em traumas e atende grande parte das vítimas de acidentes de trânsito em Curitiba e região. O coordenador médico do hospital, José Rodriguez, confirma que os principais casos atendidos são de acidentes envolvendo motociclistas e explica que são muitos detalhes no atendimento a esse tipo de trauma. “Os acidentes de moto contam com variáveis que precisam ser analisadas. Nesse sentido, quem faz o primeiro atendimento deve avaliar o cenário do trauma como um todo, pois com esse processo é possível ganhar tempo, identificar as lesões e realizar o procedimento adequado o quanto antes. No caso dos motociclistas, os principais traumas são de crânio encefálico e traumas de membros como fraturas, amputações ou perda permanente dos movimentos, além dos traumas internos”, reforça o médico. 

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E com o aumento no atendimento a acidentes, a necessidade de bons estoques de sangue também cresce. O gerente médico do Hospital Universitário Cajuru, José Augusto Ribas Fortes, destaca que a doação de sangue é um ato imprescindível para ajudar muitas vidas. “A cada doação, uma pessoa doa em torno de 450 ml de sangue, o que pode auxiliar até quatro pacientes”, afirma. O médico também esclarece sobre a segurança no ato de doar. “Com a pandemia da Covid-19, muitas pessoas ficaram com medo de manter a rotina de doações, porém todos os materiais utilizados são descartáveis e os profissionais são preparados para receber os doadores com muito cuidado, dentro dos protocolos do combate ao coronavírus”, conta. 

Requisitos

A doação de sangue é um gesto voluntário e há alguns requisitos estabelecidos pelo Ministério da Saúde para doar. Entre eles, ter idade entre 16 e 69 anos, sendo que os menores de idade devem ser acompanhados de responsáveis legais e os idosos entre 60 e 69 anos só podem doar se forem doadores frequentes. Também é necessário pesar no mínimo 51kg; estar bem alimentado, evitando alimentos gordurosos; ter dormido seis horas nas últimas 24 horas e apresentar um documento oficial com foto. A frequência máxima por ano é de quatro doações de sangue para o homem e de três para as mulheres. 

Outros impedimentos temporários são gripe, resfriado e febre, precisando aguardar sete dias após o desaparecimento dos sintomas. De acordo com a diretora geral do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar), Liana Andrade Labres de Souza, em casos de Covid-19, é preciso verificar como foi o processo de infecção e melhora da doença. “Pessoas que contraíram de forma leve podem doar sangue após 30 dias de cura completa. No entanto, para aqueles que contraíram de forma mais grave, com internação, intubação e uso de oxigênio, devem esperar o restabelecimento completo do organismo, o que pode levar até um ano”, afirma. Liana ainda reforça que, para aqueles que desejam realizar a doação voluntária e já contraíram Covid-19 de forma leve, é preciso informar o banco de sangue na hora de preencher o formulário de coleta. 

Devido à pandemia, é preciso agendar horário para realizar a doação. Mais informações estão disponíveis no site da Secretaria da Saúde do Paraná.

Medula Óssea

Além da doação de sangue, fundamental para salvar vidas no sistema de saúde, o voluntário também pode se cadastrar no REDOME (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea). Quanto mais pessoas cadastradas, maior a chance do paciente à espera de transplante encontrar um doador compatível de medula fora do seu grupo familiar. Esse “match” – encontro de compatibilidade sem grau familiar – só acontece em 1 a cada 100 mil pessoas.

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É importante que esse número de inscritos no Registro Nacional aumente – ou que pelo menos se mantenha – porque os antígenos HLA diferem entre grupos étnicos, sendo alguns tipos comuns na população como um todo e outros restritos ou ausentes em certas populações. A miscigenação da população brasileira é o grande determinante no Transplante de Medula Óssea (TMO) hoje. O exame de tipagem de HLA verifica a compatibilidade entre o doador e receptor.

 

Carlos Alberto Rezende, transplantado de medula óssea, foi agraciado com um doador desconhecido, encontrado pelo cadastro. “O sangue é um produto que não se consegue produzir artificialmente. O sangue que está circulando no meu corpo não poderia me salvar se meu doador não tivesse estendido o braço, saído da zona de conforto, para se colocar como doador voluntário. Eu tive a grata satisfação de receber essa medula e ter uma sobrevida”. Seu doador foi Luiz Eduardo de Andrade: “É muito gratificante olhar nos olhos de quem hoje vive por sua causa”, afirma.

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