Cientistas apontam saída para reduzir mortes por doença renal no Brasil

doença renal
(Foto: Freepik)
Novos dados da Fase 2 do estudo IMPACT CKD, que inclui o Brasil, revelam que o rastreamento direcionado, o diagnóstico oportuno e o melhor acesso aos tratamentos recomendados podem transformar significativamente o panorama da Doença Renal Crônica (DRC). As projeções do estudo apontam benefícios substanciais — não apenas em termos de saúde, mas também na produtividade econômica e na sustentabilidade ambiental.
À medida que o Brasil se prepara para sediar a COP30 em 2025, o estudo demonstra claramente como saúde e sustentabilidade ambiental estão profundamente interconectadas. Estima-se que mais de 10 milhões de adultos vivam com a doença no país, e a diálise — um dos tratamentos com maior consumo de água e energia — está entre os principais fatores de impacto ambiental na área da saúde. A implementação das intervenções recomendadas pode reduzir o consumo de água em até 45%, o uso de combustíveis fósseis em 44,5% e as emissões de CO₂ em 44,6%. Esses dados reforçam a urgência de integrar a saúde à agenda mais ampla de sustentabilidade ambiental.
Projeções com diagnóstico precoce
A modelagem do estudo simulou os efeitos de um programa nacional de rastreamento anual para indivíduos de alto risco, incluindo pacientes com mais de 45 anos e com diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares, combinado com aumento da adesão ao tratamento baseado em diretrizes (GDMT) para 75% dos níveis recomendados, em comparação à prática atual. Os resultados são expressivos:
  • Redução de 47,5% na necessidade de diálise em 25 anos (2022–2047), evitando aproximadamente 4,8 milhões de procedimentos;
  • Queda de 46% em eventos cardiovasculares importantes (infartos, AVCs, insuficiência cardíaca);
  • Redução de 8,5% na mortalidade, o que representa 1,6 milhão de vidas salvas.
“O diagnóstico precoce pode oferecer aos pacientes a oportunidade de controlar sua condição, manter-se bem por mais tempo e evitar, ou menos retardar, a necessidade da diálise. No entanto, muitas vezes a DRC só é diagnosticada em estágios avançados, quando os sintomas estão mais evidentes. Precisamos mudar isso e garantir que as pessoas tenham acesso ao cuidado necessário. Se agirmos agora, podemos salvar vidas e manter as pessoas ativas em suas famílias, comunidades e na sociedade”, explica Ana Flavia Moura, autora do estudo IMPACT CKD.
Impacto econômico e social positivo
Além dos benefícios à saúde, o estudo também projeta ganhos socioeconômicos em 25 anos:
  • Economia de R$189,6 bilhões em custos com TRS para o sistema de saúde;
  • Aumento de R$2,7 trilhões no PIB líquido, com 13,5 milhões de pessoas a mais na força de trabalho graças à redução de mortes precoces e à melhor gestão da doença.
“Esses resultados reforçam a urgência da ação precoce na DRC, não apenas para melhorar a vida dos pacientes, mas também para fortalecer um sistema de saúde mais sustentável. A modelagem mostra que o diagnóstico antecipado e o melhor acesso ao tratamento mantêm as pessoas saudáveis por mais tempo. Com as políticas corretas, podemos transformar esse potencial em impacto real e ganhos duradouros para os pacientes, a sociedade e o planeta. Isso é o que significa um sistema de saúde sustentável e centrado no paciente”, destacou Olavo Corrêa, presidente da AstraZeneca Brasil.
As descobertas do IMPACT CKD surgem dias após a Assembleia Mundial da Saúde aprovar uma nova resolução que reconhece a DRC como prioridade global de saúde pública — um marco que eleva a doença ao mesmo patamar de outras Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) como câncer, doenças cardiovasculares e diabetes.