Brasil realiza apenas 2% dos estudos clínicos no mundo em 2022, aponta estudo da Interfarma

estudos clínicos
(Foto: Freepik)

O Brasil realizou apenas 2% dos estudos clínicos iniciados no mundo, ocupando a 20ª posição no ranking global de Pesquisa Clínica em 2022, mesmo reunindo diversos indicadores para ter protagonismo global. Os dados são da nova edição do estudo “A Importância da Pesquisa Clínica para o Brasil”, produzido pela Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa) em parceria com a IQVIA. A posição atual brasileira representa uma melhora de duas colocações em relação ao ano de 2021, mas uma queda em relação ao percentual de estudos iniciados no país na última década – 2,3% em 2013.

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Com mais de 203 milhões de habitantes[1], o país é o quinto mais populoso do mundo[2], além de ocupar o posto de 12º maior Produto Interno Bruto (PIB) mundial[3]. Comparado a outros países da América Latina, se destaca por ter o maior PIB, a maior população economicamente ativa e a maior população urbana da região, com 182 milhões de pessoas vivendo em perímetros urbanos. Além disso, o país tem diversidade étnica, custo competitivo comparado a outros países e robustez do ecossistema de saúde, com boa regulação sanitária. Destaca-se, também, o nível elevado de competência em pesquisa clínica dos pesquisadores brasileiros, reconhecidos mundialmente e importantes formadores de opinião. Todas essas características juntas são relevantes e importantes para a realização e atração de estudos clínicos.

Ranking de Pesquisa Clínica

  • 12.116 estudos clínicos iniciados no mundo em 2022
  • 238 estudos iniciados no país
  • Brasil na 20ª posição, atrás de Egito (14º), Turquia (17º) e Taiwan (18º)

O estudo ressalta, ainda, o papel dos órgãos reguladores ao garantir o protocolo de estudo e de ética em pesquisa. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), desde 2010, é considerada uma referência regional e possui o mais alto grau de competência e eficiência segundo classificação da própria Organização Mundial da Saúde (OMS). O documento reforça o compromisso da ANVISA com o processo de análise de estudos clínicos realizados no Brasil, a exemplo das publicações das RDCs 205/2017 e 09/2015. Apesar da melhoria observada nos últimos anos, os tempos de aprovação das pesquisas ainda são desfavoráveis, quando comparados aos tempos dos EUA, Polônia e Argentina.

O Brasil, porém, ainda precisa estabelecer um sistema jurídico seguro e harmonizar os procedimentos brasileiros aos adotados pelos países líderes em pesquisas clínicas no mundo. Além disso, necessita assegurar a ética e a proteção do paciente e garantir rigor técnico-científico. Tudo isso está previsto no Projeto de Lei 7082/2017, que aguarda ser votado pela Câmara dos Deputados.

Para a Interfarma, a regulamentação da pesquisa clínica, somada as características reunidas, fará com que o Brasil aproveite todo o seu potencial e se torne mais atrativo. O país poderia saltar para a 10ª colocação do ranking global, com 4,5% dos estudos iniciados, atraindo um investimento estimado de R$ 3 bilhões/ano, com efeitos na economia ainda maiores, em torno de R$ 5 bilhões/ano, aponta o levantamento da Associação. Ao sediar mais inovações do setor farmacêutico, o Brasil passaria a ter mais tecnologias em saúde, com impacto positivo na economia brasileira e para a saúde da população brasileira.

Acesse o estudo completo aqui: https://bit.ly/EstudoPesquisaClinica

Acesse o infográfico: https://bit.ly/PesquisaClinicaInfografia

*Informações Assessoria de Imprensa