
A Academia Brasileira de Neurologia (ABN), por meio de Cristiana Borges Pereira, coordenadora e membro titular do Departamento Científico de Distúrbios Vestibulares e do Equilíbrio, reforça que o uso genérico do termo “labirintite” pode atrasar o tratamento e comprometer a qualidade de vida do paciente.
O mito da labirintite
Embora o senso comum costume rotular qualquer sensação de tontura e desequilíbrio como labirintite, este se transformou em um termo genérico e muito inespecífico. A labirintite, de fato, a inflamação real do labirinto é uma condição relativamente rara. Segundo Cristiana Borges Pereira, a tontura é um sintoma que pode ter causas diferentes, desde problemas no ouvido interno até disfunções neurológicas e cardiovasculares, e o tratamento específico de cada uma destas doenças faz toda a diferença.
“O grande desafio é o diagnóstico diferencial. Muitas pessoas sofrem por anos tratando uma suposta labirintite com medicamentos paliativos, quando na verdade possuem condições como a VPPB (Tontura dos Cristais), Migrânea Vestibular (enxaqueca que causa tontura) e algumas tonturas centrais”, explica a especialista.
A tontura não deve ser tratada como uma consequência inevitável do envelhecimento ou do estresse.
Principais focos de atenção no diagnóstico diferencial:
- VPPB (Vertigem Posicional Paroxística Benigna): Causada pelo deslocamento de pequenos cristais de cálcio dentro do ouvido. O tratamento não é medicamentoso, mas sim realizado através de manobras físicas específicas no consultório.
- Migrânea Vestibular: Uma variante da enxaqueca onde a tontura é o sintoma predominante, podendo ocorrer mesmo sem a presença de dor de cabeça.
- Doença de Menière: Caracterizada por crises de vertigem, zumbido e perda auditiva flutuante.
- Tontura Postural Perceptual Persistente (TPPP): Uma condição crônica onde o paciente sente uma instabilidade constante, frequentemente associada a quadros de ansiedade após um episódio inicial de vertigem.
- Vertigem aguda: em um paciente com uma primeira crise de vertigem com duração prolongada é importante considerar as hipóteses de neurite vestibular e também de doença vascular (AVC).
Sinais de alerta: Quando a tontura é uma emergência?
“Se a tontura vier acompanhada de visão dupla, dificuldade na fala, fraqueza em um dos lados do corpo ou uma dor de cabeça súbita e intensa, o paciente deve ser encaminhado imediatamente ao pronto-socorro”, alerta a neurologista.
O Dia Nacional da Tontura serve como um lembrete de que o equilíbrio é fundamental para a autonomia humana. O tratamento adequado e específico de cada doença, baseado em evidências e exercícios de reabilitação vestibular, pode devolver ao paciente a segurança para caminhar e realizar suas atividades diárias.
*Informações Assessoria de Imprensa











