
Um levantamento nacional sobre a força de trabalho médica nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) brasileiras acende um alerta para o desgaste emocional dos profissionais que atuam na linha de frente do atendimento a pacientes críticos. Realizado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), o estudo ouviu 2.338 médicos em 26 estados e no Distrito Federal.
O estudo foi apresentado hoje na sede da AMIB, na Vila Nova Conceição, em São Paulo, e contou com a presença do diretor científico da Associação Médica Brasileira (AMB), Dr. José Eduardo Dolci.
Os resultados mostram que 48,5% dos entrevistados apresentam alto nível de esgotamento emocional. Outros 31,2% registraram nível moderado, fazendo com que 79,7% dos médicos avaliados demandem algum grau de atenção e cuidado com a saúde emocional. Apenas 20,3% apresentaram baixo nível de esgotamento.
O levantamento também identificou índices expressivos de insatisfação profissional. Segundo os dados, 46,4% dos médicos relataram baixa satisfação com suas atividades. Quando considerados também aqueles com grau moderado de satisfação, o percentual chega a 84,5%.
Outro componente associado à síndrome de burnout, a despersonalização — caracterizada pelo distanciamento emocional em relação a pacientes e colegas — foi identificada em 45,6% dos participantes. Do total, 29,6% apresentaram nível moderado e 16% nível elevado.
Para o presidente da AMIB, Cristiano Franke, os resultados demonstram que a saúde mental dos profissionais que atuam nas UTIs precisa ser tratada como uma questão prioritária. “Um sistema de saúde só é resiliente se cuida também de quem sustenta o cuidado”, afirmou, defendendo a mobilização de gestores, instituições e autoridades para transformar o diagnóstico em ações concretas.
Formação especializada
A relação entre qualificação profissional e…






