Sintomas confundidos com labirintite podem esconder um AVC

avc e labirintite
(Foto: gpoinstudio/Magnific)
Uma tontura intensa, dificuldade para caminhar ou alterações súbitas na visão podem parecer problemas comuns, mas também indicar um acidente vascular cerebral (AVC). Nos primeiros sete meses de 2026, o Brasil registrou 50.424 mortes pela doença e 182.253 internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS), segundo levantamento divulgado pela Rede Brasil AVC, com base em dados do Ministério da Saúde.
As hospitalizações cresceram 23,6% entre 2020 e 2025, com alta de 16,9% entre pessoas de 15 a 49 anos. O cenário ganha destaque no Dia Mundial do AVC, lembrado em 29 de outubro. Neste ano, a campanha da World Stroke Organization (WSO) destaca a mensagem #AgirRápido, incentivando a população a reconhecer os sinais e procurar atendimento de emergência imediatamente.
Segundo a coordenadora regional de neurologia dos Hospitais Anchieta, Ana Kariny Bezerra, os sintomas nem sempre aparecem da forma mais conhecida pela população, como boca torta, fraqueza em um dos lados do corpo ou dificuldade para falar.
“Perda súbita da visão, visão dupla, desequilíbrio ou dificuldade de coordenação também podem indicar um problema na circulação cerebral. O início repentino dessas alterações merece atenção, mesmo quando parecem situações simples, como uma crise de labirintite”, esclarece.
Uma dor de cabeça súbita, extremamente intensa e diferente das habituais, também exige avaliação imediata, pois pode estar associada a um quadro hemorrágico. Esse sintoma merece atenção especial quando acompanhado de náuseas, vômitos ou alterações neurológicas.
Atendimento rápido pode evitar sequelas
 
O AVC ocorre quando há obstrução ou rompimento de um vaso sanguíneo no cérebro. No tipo isquêmico, o mais frequente, a interrupção da circulação impede a chegada adequada de sangue e oxigênio às células nervosas.
No quadro isquêmico, tratamentos como a trombólise e a trombectomia mecânica podem restabelecer o fluxo sanguíneo em casos selecionados. A indicação depende das características clínicas e do tempo transcorrido desde os primeiros sintomas.
“Quanto mais tempo o cérebro permanece sem receber sangue adequadamente, maior pode ser a área afetada e o risco de sequelas. Por isso, não devemos esperar uma melhora espontânea. Mesmo que os sinais desapareçam, é fundamental procurar atendimento”, ressalta.
Hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo e sedentarismo estão entre os principais fatores de risco. Em pessoas mais jovens, também podem existir causas específicas, como alterações cardíacas e doenças da coagulação.
A prevenção envolve controlar a pressão arterial, acompanhar a glicemia e o colesterol, praticar atividades físicas, manter uma alimentação equilibrada e não fumar. Diante de qualquer suspeita, a orientação é acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192.
“Prevenir depende de cuidados que precisam fazer parte da rotina. Mas reconhecer os sinais é igualmente importante, porque procurar atendimento imediatamente pode mudar o desfecho do paciente”, finaliza Ana Kariny Bezerra.
*Informações Assessoria de Imprensa