Reutilizar antibióticos de tratamentos anteriores para rinite ou sinusite é um erro grave, alerta especialista

antibiotico
(Foto: Magnific)

Nariz entupido, dor de cabeça e nariz escorrendo costumam ser tratados como a mesma coisa, mas podem indicar problemas diferentes. Rinite e sinusite são inflamações, e a confusão entre elas leva muita gente a recorrer a antibióticos que sobraram na “farmácia de casa”, uma prática que pode trazer riscos à saúde.

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Segundo Leila Crisigiovanni, médica otorrinolaringologista e membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), a diferença está no local da inflamação.

“A rinite atinge a mucosa do nariz e provoca espirros, coceira, coriza e nariz entupido. Já a sinusite acomete os seios da face, cavidades ao redor do nariz, e costuma causar dor ou pressão no rosto, secreção espessa e, muitas vezes, dor de cabeça”, explica.

Em alguns casos é possível ter rinite e sinusite ao mesmo tempo. Leila acrescenta que uma crise alérgica não tratada pode inflamar a mucosa, bloquear a drenagem dos seios nasais e favorecer a evolução para sinusite.

“Quando o nariz está muito inchado, as secreções ficam retidas nos seios da face, e esse ambiente facilita a proliferação de microrganismos”, afirma a especialista.

É vírus ou bactéria?

Na maioria dos casos, o quadro é viral e passa em até dez dias. Já uma possível infecção bacteriana pode ser caracterizada com alguns sinais como febre alta, dor facial intensa e piora após uma aparente melhora inicial.

Automedicação com antibiótico que “sobrou’

A automedicação ainda é uma prática comum, principalmente com aqueles remédios que acabam sobrando na “farmácia de casa”. No entanto, a especialista adverte que o uso indiscriminado de antibióticos é um erro grave, já que o medicamento acaba sendo utilizado frequentemente de forma inadequada.

“É importante destacar que o antibiótico não trata rinite alérgica nem quadros virais. Além disso, a dose e o tempo de uso ficam inadequados, o que pode mascarar sintomas, atrasar o diagnóstico correto e contribuir para a resistência bacteriana”, alerta a otorrino. Também há risco de reações alérgicas e efeitos colaterais.

Posso usar descongestionante?

Para os fãs dos descongestionantes nasais também é importante algumas orientações. O alívio é rápido, mas o uso prolongado pode causar a chamada rinite medicamentosa, em que o nariz passa a depender do remédio para desobstruir, o que piora a congestão. “Muitos pacientes sentem que o nariz ficou ‘viciado’. Esse tipo de produto deve ser usado só por poucos dias e com indicação médica”, ressalta.

Prevenção começa em casa

Para reduzir as crises alérgicas, Leila recomenda: – Controlar os ácaros, utilizando capas antiácaro em colchões e travesseiros e lavando a roupa de cama semanalmente em água quente; – Evitar tapetes, cortinas pesadas e bichos de pelúcia nos quartos; – Limpar a casa com pano úmido, evitando vassoura e espanador, que espalham poeira; – Manter os ambientes ventilados e livres de mofo; – Beber bastante água e manter as vias aéreas hidratadas; – Evitar fumaça de cigarro e odores fortes.

Soro fisiológico: seguro para todas as idades

A lavagem nasal com soro fisiológico é uma das medidas mais recomendadas para reduzir o risco de gripes, resfriados, sinusites e outras infecções respiratórias. O hábito pode ser incorporado à rotina de higiene diária e ajuda a manter a barreira natural do nariz funcionando adequadamente.

O soro fisiológico pode e deve ser usado durante todo o ano, é seguro e bem tolerado para todas as idades, desde bebês até idosos.

“A lavagem nasal diária ajuda a manter a mucosa hidratada e protegida, independentemente da estação”, finaliza a especialista.

*Informações Assessoria de Imprensa