
Enquanto os gastos anuais das operadoras com medicamentos de alto impacto clínico são estimados entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões, fraudes, desvios, sobreutilização, redundâncias e baixa resolutividade assistencial consumiram cerca de R$ 52,5 bilhões em 2024, podendo chegar a R$ 75 bilhões considerando as faixas estimadas. Ou seja, tais despesas consumiram entre 1,5 e 2 vezes mais recursos que medicamentos. Os dados fazem parte do estudo “Saúde Suplementar em Transição: Acesso à Inovação e Valor Assistencial”, lançado nesta segunda-feira (10) pela Interfarma – Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa, durante evento em Brasília.
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Produzido em parceria com a L.E.K. Consulting, o levantamento reúne dados públicos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), análises econômicas do setor e evidências técnico-científicas para discutir os principais desafios da saúde suplementar brasileira e propor caminhos para ampliar a sustentabilidade do sistema sem comprometer o acesso dos pacientes à inovação.
A diferença também aparece na análise por beneficiário. De um gasto médio anual entre R$ 6 mil e R$ 7 mil, cerca de R$ 600 a R$ 700 foram destinados a medicamentos, enquanto essas ineficiências representaram entre R$ 1.050 e R$ 1.500 por pessoa.
“Embora os custos dos medicamentos sejam frequentemente apontados como um dos principais fatores de pressão sobre a saúde suplementar, os dados mostram que fraudes, desperdícios e sobreutilização consomem mais recursos, sem gerar os benefícios em saúde que os medicamentos oferecem à saúde populacional. A discussão sobre sustentabilidade precisa olhar para onde estão as maiores ineficiências estruturais do sistema, sem limitar o acesso dos pacientes a tratamentos que geram valor assistencial e melhores resultados em saúde”, afirma Renato Porto, presidente-executivo da Interfarma.
Além de analisar a composição das despesas da saúde suplementar, o estudo aponta que a inovação farmacêutica foi responsável por cerca de 60% do aumento da expectativa de vida nas últimas décadas, reforçando seu papel na melhoria dos desfechos clínicos e da qualidade de vida dos pacientes.
Apesar desse impacto positivo, o levantamento identifica desafios importantes para o acesso à inovação, como a desaceleração do ritmo de incorporação de novas tecnologias pela ANS, o tempo necessário para que novos tratamentos cheguem aos pacientes e lacunas regulatórias que ainda dificultam o acesso a terapias avançadas e medicamentos orais para doenças raras e crônicas.
Segundo os dados, houve uma desaceleração no ritmo inclusão de novos medicamentos no Rol nos últimos anos. A média caiu de 18,5 incorporações anuais em 2019 e 2020 para apenas 7 medicamentos por ano entre 2021 e 2024. Quanto às incorporações após recomendação da Conitec, a pesquisa indicou que apenas 25% das incorporações avaliadas pela ANS geraram nova inclusão no Rol, em média 7 por ano. Além disso, o modelo atual ainda concentra a cobertura de medicamentos principalmente no ambiente hospitalar. Enquanto isso, terapias de uso domiciliar, medicamentos orais e de terapias avançadas enfrentam barreiras mais significativas de acesso.
Para a Interfarma, o cenário evidencia a necessidade de evolução dos modelos de avaliação e incorporação tecnológica da saúde suplementar, especialmente diante do avanço de terapias inovadoras e potencialmente transformadoras para os pacientes.
“O avanço científico tem trazido tratamentos cada vez mais personalizados, na comodidade para o paciente, capazes de evitar complicações e internações futuras”, explica Helaine Capucho, diretora de Acesso da Interfarma. E complementa “o desafio é desenvolver mecanismos de avaliação que consigam considerar não apenas o custo imediato, mas também o valor assistencial, os benefícios gerados para o sistema ao longo do tempo e colocar na balança o custo de não tratar.”
O estudo também chama atenção para o envelhecimento da população brasileira e para o aumento da demanda por cuidados de saúde nos próximos anos. Segundo a análise, esse cenário torna ainda mais importante a adoção de políticas que priorizem a coordenação do cuidado, reduzam desperdícios e ampliem o acesso a tecnologias capazes de melhorar os resultados clínicos.
Entre as recomendações apresentadas pela Interfarma estão o fortalecimento da coordenação do cuidado, o incentivo a modelos de remuneração baseados em valor, o aprimoramento dos processos de incorporação de tecnologias e a regulamentação de dispositivos legais voltados à garantia do acesso dos pacientes aos tratamentos previstos em lei, bem como o fortalecimento da fiscalização assistencial.
“Nosso objetivo é contribuir para um debate baseado em evidências. Um sistema sustentável não é aquele que restringe acesso, mas aquele que direciona melhor seus recursos, reduz ineficiências e incorpora a inovação de forma responsável, garantindo mais qualidade de vida para os pacientes e previsibilidade para todo o setor”, conclui Porto.
A íntegra do estudo “Saúde Suplementar em Transição: Acesso à Inovação e Valor Assistencial” está disponível no site da Interfarma. Clique aqui para acessar.
*Informações Assessoria de Imprensa
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