
Antes de chegar à prateleira por poucos reais, um produto do dia a dia pode ter passado por um processo que custa bilhões. Parece exagero, mas não é. Seja um medicamento complexo ou até um produto de limpeza ou cosmético, há uma etapa decisiva que acontece bem antes do consumo: os testes em laboratório.
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“Quando falamos de um produto simples, como aquele que você compra por R$ 5 no mercado ou farmácia, poucas pessoas imaginam o que veio antes. Em muitos casos, estamos falando de um processo que pode ultrapassar US$ 2 bilhões entre desenvolvimento e testes”, afirma Aruã Prudenciatti, cofundador e diretor de operações da Crop Labs.
Segundo o especialista, a etapa de desenvolvimento de um medicamento pode levar 10 anos, mesmo para produtos em estágio avançado. Muitos deles são realizados in vitro, utilizando células humanas cultivadas em laboratório. “Funciona assim: cientistas utilizam células que simulam tecidos do corpo, como pele ou olhos. O produto é aplicado nessas células em diferentes concentrações, e os pesquisadores observam como elas reagem”, explica.
A Crop Labs é um dos poucos laboratórios da América Latina com certificação internacional, habilitado a realizar testes aceitos globalmente. Isso significa que análises feitas ali podem validar produtos para mercados fora do país, atendendo exigências regulatórias rigorosas, inclusive da Anvisa e de órgãos internacionais.
O CEO da empresa conta que esses testes são fundamentais para entender dois pontos principais: a eficácia, se o produto entrega o que promete, e a segurança, se pode causar irritação, toxicidade ou outros efeitos colaterais adversos. “Se a célula sofre algum dano, aquilo é um alerta imediato”, completa Aruã.
Além disso, após a aprovação do produto, são realizadas análises por amostragem em todos os lotes fabricados. Isso garante que o item entregue ao consumidor mantenha o mesmo padrão de qualidade testado em laboratório.
Contudo, mesmo com todo o investimento, nem todos os produtos chegam ao mercado. “De tudo o que é testado, cerca de 30% avança. Os outros 70% ficam pelo caminho, principalmente por dois motivos: ou não funcionam como deveriam, ou apresentam algum nível de efeito colateral que inviabiliza o uso”, afirma.
No caso de medicamentos, essa taxa de reprovação é ainda maior, porque envolve riscos maiores. Já em produtos de limpeza e cosméticos, muitas vezes o problema está na promessa de dizer que elimina 99% das bactérias sem atingir esse resultado nos testes. “Isso mesmo, significa que vários ficam para trás todos os anos em desenvolvimento e testes até que enfim chegue um produto seguro e eficaz às prateleiras dos supermercados”, complementa Aruã.
Um ponto fundamental é que a presença de um potencial residual de irritação não invalida um produto, desde que ele mantenha níveis de tolerabilidade aceitáveis. O segredo está no equilíbrio entre risco e benefício. “Todo produto é avaliado sob critérios rigorosos de segurança. Mesmo que exista um potencial de irritação leve, ele é calculado para ser inofensivo no uso prático. É para isso que existem órgãos como a Anvisa: para estabelecer os parâmetros técnicos do que é seguro para o consumidor”, explica.
Ou seja, não existe produto perfeito, existe produto seguro dentro de parâmetros técnicos. Com certificação internacional de Boas Práticas de Laboratório (BPL), reconhecida por acordos globais, a Crop Labs integra um grupo restrito de instituições cujos testes são aceitos em diversos países. Isso transforma o laboratório em uma espécie de “passaporte científico” para produtos que querem ser comercializados globalmente.
Só no último ano, foram cerca de 750 produtos testados no laboratório. Considerando que muitos desses produtos já estão em fases avançadas de desenvolvimento, isso representa um volume potencial de milhões de reais passando por validação por lá.
“Do detergente ao cosmético, do remédio ao produto hospitalar. Aquilo que parece simples, barato, cotidiano, acessível é, na verdade, resultado de um dos processos mais complexos e caros da indústria. Mas, é justamente esse processo que garante que ele possa ser usado com segurança”, conclui.
*Informações Assessoria de Imprensa
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