Especialistas alertam para 1,8 milhão de casos de dengue previstos para 2026

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(Foto: jcomp/Freepik)

A combinação de altas temperaturas e períodos de chuva aumenta o risco de circulação das arboviroses no Brasil. Projeções do projeto internacional IMDC (InfoDengue–Mosqlimate Dengue Challenge), em parceria com a Fiocruz e a Fundação Getulio Vargas (FGV), indicam que o Brasil pode registrar até 1,8 milhão de casos de dengue ao longo de 2026, com maior concentração no Sudeste. Zika, chikungunya e febre amarela também são transmitidas pela picada do mosquito Aedes aegypti.  

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“A dengue pode variar de formas leves até quadros muito graves, como febre hemorrágica e choque circulatório, principalmente em idosos e pessoas com comorbidades”, explica o infectologista Thiago Vitoriano Barbosa, do Hospital Samaritano Higienópolis (SP), que faz parte da Rede Américas, segunda maior rede de hospitais privados do Brasil. 

Atualmente circulam quatro sorotipos do vírus, o que permite a reincidência de contaminação mesmo em pessoas que já tiveram a doença em anos anteriores. “Os subtipos do vírus da dengue em circulação são DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. A infecção por um deles não confere imunidade aos outros, o que significa que uma mesma pessoa pode ter dengue até quatro vezes ao longo da vida”, alerta Barbosa. 

Os primeiros sintomas costumam ser dor de cabeça, dor atrás dos olhos, febre e manchas avermelhadas na pele. No entanto, a evolução pode exigir atenção imediata. Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramentos de mucosas, queda de pressão e alterações do nível de consciência são sinais de alerta e indicam necessidade de avaliação médica urgente. “Gestantes, idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas fazem parte dos grupos com maior risco de complicações e devem buscar atendimento logo nos primeiros sintomas”, complementa. 

 

Prevenção e diagnóstico 

“A prevenção ainda é uma das principais armas contra a dengue. “As principais barreiras são físicas, como mosquiteiros e telas, mas os repelentes também fazem parte essencial da proteção”, explica Renata Beranger, infectologista do Samaritano Botafogo (RJ). 

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e a Anvisa, para ser eficaz contra o mosquito da dengue, o repelente deve conter Icaridina em uma concentração de 20 a 25%, DEET, de 10–15%, e IR3535, sendo que o que muda entre eles é o tempo de proteção. “São produtos que podem ser encontrados nas formas de loção, creme ou spray e devem ser utilizados diariamente após a aplicação do filtro solar. Um hábito que parece exagero, mas que pode ser a diferença entre um verão comum e uma internação por infecção”, afirma Beranger.  

A médica alerta ainda para o uso indiscriminado de medicamentos que podem agravar o quadro durante a infecção. “Anticoagulantes como aspirina e anti-inflamatórios, como ibuprofeno, cetoprofeno e diclofenaco, devem ser evitados devido ao risco de sangramentos e alterações hepáticas especialmente em pacientes com queda de plaquetas ou sinais de alarme. O ideal é evitar a automedicação e, em caso de suspeitas, utilizar o paracetamol ou dipirona para controle de sintomas de febre e mal-estar. Caso o sintoma persista ou apresente sinais de alarme, o paciente deve procurar atendimento imediatamente.”, orienta. 

 

Vacinação mais eficiente chega ao SUS  

O cenário atual de vacinação contra a dengue, até o momento, incluia duas vacinas licenciadas no Brasil: Dengvaxia (CYD-TDV) e Qdenga (TAK-003). Como resposta ao cenário previsto para 2026, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a adotar novas estratégias de vacinação, incluindo a aplicação inicial da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante, de dose única, começou a ser aplicado em janeiro, com foco inicial na população de 15 a 59 anos e em profissionais da atenção primária. A estratégia prevê ampliação gradual conforme o aumento da produção das doses. 

“A vacina é uma ferramenta essencial e representa um avanço importante no combate à dengue, mas não substitui os cuidados individuais nem o controle do mosquito. Para reduzir o impacto em 2026, a tríade vacinação, prevenção e acompanhamento médico precisam caminhar juntos”, conclui a especialista. 

*Informações Assessoria de Imprensa