Doenças da tireoide: sintomas, tratamento e mais

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(Foto: Freepik)

As doenças relacionadas à tireoide impactam, aproximadamente, 750 milhões pessoas no mundo, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Contudo, estima-se que 60% dessas pessoas não sabem que possuem algum distúrbio, o que pode prejudicar o tratamento e gerar outro tipos de complicação, acendendo o alerta para a importância do diagnóstico precoce.

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Os principais problemas de tireoide são as disfunções na produção de hormônios (hipotireoidismo e hipertireoidismo), doenças autoimunes (como a tireoidite de Hashimoto e a doença de Graves) e alterações estruturais da glândula, como nódulos e câncer de tireoide. “Nas disfunções na produção de hormônio tireoidiano, podem se apresentar de forma clínica, com sintomas e exames claramente alterados, ou subclínica, quando o TSH já está alterado, mas o T4 livre ainda está na faixa normal”, detalha o endocrinologista Adriano Cury, que atua no Alta Diagnósticos, marca premium da Dasa.

No Brasil, o distúrbio mais frequente é o hipotireoidismo, que consiste na redução da secreção dos hormônios tireoidianos, com prevalência na forma subclínica. “No hipotireoidismo, predominam sintomas como cansaço intenso, eventual variação de peso, com dificuldade para perder peso, sonolência, intestino preso, pele seca, queda de cabelo ou intolerância ao frio”, comenta Cury. No caso do hipertireoidismo – aumento na secreção dos hormônios – os sinais são opostos, com perda de peso sem explicação, palpitações, taquicardia, tremores finos, suor excessivo, intolerância ao calor, irritabilidade, ansiedade e distúrbios do sono. “Em ambos os casos, os sintomas são inespecíficos e podem ser confundidos com estresse e depressão, o que contribui para o eventual atraso do diagnóstico.”

Além disso, a dificuldade em fechar um diagnóstico também esbarra em questões de acesso à atenção primária e de exames laboratoriais necessários para a confirmação ou não do distúrbio. “As formas subclínicas são assintomáticas ou pouco sintomáticas e, para identificar alterações tireoidianas, como o hipertireoidismo, em grupos de risco (idosos, portadores de doenças autoimunes, pacientes com doenças cardiovasculares), incluir o TSH nas avaliações de rotina é importante”, complementa o endocrinologista.

Como é feito o diagnóstico de doenças da tireoide?

Apesar de trazer sintomas que podem ser “mascarados”, o diagnóstico de doenças relacionadas à tireoide inicia sempre com uma boa avaliação clínica, segundo Cury, mas depende obrigatoriamente de exames laboratoriais, em especial a dosagem de TSH e de T4 livre, enquanto em situações específicas, avalia-se também T3 e autoanticorpos. “Para alterações no exame físico, a ultrassonografia de tireoide é o exame de escolha, permitindo avaliar nódulos, caracterizar seu padrão em mais ou menos suspeito, e definir se há indicação de punção aspirativa por agulha fina (PAAF) para avaliação citológica, sempre seguindo consensos científicos, como os da SBEM, alinhados também às diretrizes internacionais na condução das doenças de tireoide.”

Quando são identificados nódulos benignos, há o acompanhamento periódico por exame clínico e ultrassonográfico. No entanto, se foram suspeitos ou malignos, o tratamento é cirúrgico, com seguimento com o especialista oncológico. “Já no caso do hipotireoidismo, é feito o controle com reposição de levotiroxina, ajustando a dose individualmente, de acordo com a idade, comorbidades (como cardiopatia) e valores-alvo de TSH para a idade. No hipertireoidismo, as principais opções são medicamentos antitireoidianos (como metimazol), radioiodoterapia ou cirurgia, dependendo da causa (Graves, bócio multinodular tóxico, nódulo tóxico), gravidade do quadro e características do paciente.”

Problemas na tireoide causam impacto na qualidade de vida

A energia, o humor, a cognição e a capacidade de manter o peso podem ser impactados pelas disfunções na tireoide, mesmo em formas leves, o que leva a grandes impactos na qualidade de vida, seja no trabalho, nas relações sociais ou na autoestima. Além disso, Cury reforça que, a longo prazo, “quadros de hipotireoidismo não tratados geram maior risco cardiovascular, enquanto o hipertireoidismo pode desencadear arritmias, incluindo fibrilação atrial, risco cardiovascular, perda de massa óssea e maior risco de fraturas, especialmente em idosos.”

Por isso, quem já possui o diagnóstico de uma doença relacionada à tireoide deve aderir corretamente ao tratamento, comparecendo às consultas de seguimento e lembrando, sempre, de não ajustar as doses do medicamento por contra própria. “Para quem se identifica com os sinais descritos, a orientação é procurar atendimento médico – começando pela atenção primária – em que a tireoide seja considerada no contexto geral de saúde, especialmente em idosos, gestantes e pessoas com outras doenças crônicas, como as doenças autoimunes”, finaliza.