Envelhecimento da população desafia ortopedia

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(Foto: Freepik)

Cerca de 400 mil fraturas por fragilidade ocorrem a cada ano no Brasil, segundo o portal do governo de Pernambuco, e esse número deve crescer 60% até 2030. A projeção acompanha o envelhecimento da população brasileira, que pressiona os serviços de ortopedia do país. O número de brasileiros com 60 anos ou mais saltou de 15,2 milhões para mais de 32 milhões entre 2000 e 2023, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados em agosto.

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A idade mediana da população brasileira saltou de 29 anos, em 2010, para 35 anos, em 2022. As projeções indicam que até 2070, o Brasil terá 75,3 milhões de idosos, representando 37,8% da população total. A expectativa de vida ao nascer chegou a 76,4 anos, em 2023, e deve alcançar 83,9 anos, em 2070.

Um quarto dos idosos que vivem em cidades sofre quedas

Um quarto da população idosa que vive em áreas urbanas sofre quedas, conforme o “Estudo longitudinal da saúde dos idosos brasileiros”, financiado pelo Ministério da Saúde. Entre pessoas com 80 anos ou mais, 40% caem todos os anos, de acordo com o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia.

A fratura na parte superior do osso da coxa está entre as principais causas de hospitalização em idosos. Cerca de 48% deles caem pelo menos uma vez a cada dois anos. Além disso, 70% das mortes acidentais em pessoas acima de 75 anos são causadas por quedas.

Neste cenário, o atendimento ao paciente passa pela explicação do profissional da saúde sobre para que serve a tomografia computadorizada nesse tipo de trauma: o exame permite visualizar com precisão o tipo e a extensão da fratura, auxiliando o ortopedista no planejamento cirúrgico adequado.

O Ministério da Saúde registra que 5% dos idosos morrem durante a internação hospitalar após fratura de quadril. Outros 12% morrem nos três meses seguintes. A taxa de mortalidade no primeiro ano após o trauma chega a 30%, segundo estudos epidemiológicos brasileiros.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que um milhão de idosos no mundo fraturam o fêmur por ano. O Brasil responde por 600 mil desses casos, com quedas sendo a causa de 90% dessas fraturas.

Idosos ocupam UTIs por mais tempo

Um estudo publicado na revista Geriatric Orthopaedic Surgery & Rehabilitation analisou 870 casos de trauma ortopédico nos Estados Unidos. Pessoas com 70 anos ou mais tinham, em média, 3,3 condições médicas prévias.

O tempo total de internação foi parecido entre os grupos etários, mas os idosos passaram 52,74% do período em unidades de terapia intensiva, enquanto os mais jovens ficaram apenas 34,9% do tempo nessas unidades.

A complexidade do atendimento aumenta porque os pacientes idosos apresentam complicações neurológicas, síndromes como delírio e outros problemas relacionados à hospitalização.

Osteoporose atinge até 15 milhões de brasileiros 

A osteoporose atinge até 15 milhões de brasileiros e está diretamente relacionada aos casos de fratura osteoporótica ao longo da vida, segundo informações do governo federal. A Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (Abrasso) estima que uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens acima de 50 anos sofrerão fraturas causadas pela doença.

Dados publicados em 2019 pela Abrasso mostram que a osteoporose custa R$1,2 bilhão por ano para a economia brasileira, sendo que cerca de 61% deste valor está associado à perda de produtividade do paciente.

Já a artrose afeta de 10% a 15% da população acima dos 60 anos, segundo dados da OMS citados pela médica Verônica Vianna, coordenadora do 1º Congresso Internacional de Ortopedia da Rede D’Or. A condição degenerativa contribui para o aumento na demanda por cirurgias.

Tecnologia de ponta está concentrada na rede privada

Nacionalmente, o campo da ortopedia investe em tecnologia para lidar com o crescimento da demanda. Uma das opções, as cirurgias assistidas por robôs oferecem maior precisão na colocação de próteses de joelho. Porém, encontrar um ortopedista em São Paulo com acesso a essa tecnologia, ou mesmo em outros grandes centros, ainda é privilégio de poucos pacientes, já que os equipamentos estão concentrados em hospitais privados de alto padrão.

“Felizmente, a cirurgia robótica abre novos horizontes, pois contribui para que as pessoas possam ter qualidade de vida na terceira idade”, ressalta Verônica Vianna em entrevista à imprensa.

Medidas simples evitam complicações

Profissionais da área enfatizam a importância de investir na prevenção, com adoção de medidas que incluem alterações nos hábitos cotidianos e alimentares, assim como no ambiente doméstico, para evitar quedas. Melhorar a iluminação dos ambientes, remover objetos soltos e instalar barras de apoio no banheiro são medidas simples que funcionam. Atividade física regular fortalece os músculos e melhora o equilíbrio.

A sarcopenia, perda de massa e força muscular relacionada ao envelhecimento, atinge entre 4,8% e 62% dos idosos brasileiros, segundo revisão publicada no BRASPEN Journal. A condição aumenta o risco de quedas e fraturas. Exercícios de resistência e caminhadas regulares reduzem a prevalência do problema, especialmente em idosos institucionalizados e com idade avançada.

*Informações Assessoria de Imprensa