
Há mais de três décadas, o Brasil e as Américas conseguiram eliminar os casos de poliomielite, marcando um momento histórico de saúde pública, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Entretanto, a doença ainda é identificada em outros países pelo mundo e nenhuma nação está totalmente livre de risco enquanto houver transmissão ativa do vírus, principalmente em regiões onde a vacinação está abaixo da meta desejada de cobertura vacinal.
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“A pólio é causada por um vírus que atinge o sistema nervoso e pode provocar paralisia permanente, especialmente em crianças pequenas”, explica Luiza Helena Falleiros Arlant, Médica Coordenadora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Metropolitana de Santos. “Graças à vacinação em massa, conseguimos controlar a doença, mas o vírus ainda existe. A única forma de impedir a volta dos casos é vacinar. Cada criança sem imunização é uma porta aberta para a reintrodução do vírus.”
Desde o lançamento da Iniciativa Global pela Erradicação da Pólio, em 1988, os casos no mundo caíram mais de 99%, mas a fala da especialista se traduz em um alerta direto para o Brasil: a queda nas coberturas vacinais dos últimos anos abriu brechas que ameaçam décadas de conquistas. O país que já foi referência mundial em imunização hoje enfrenta o desafio de garantir que todas as crianças recebam as doses no tempo certo.
Uma conquista ameaçada
A vacinação é a única forma eficaz de prevenir a poliomielite e a luta contra a pólio no Brasil deixou um dos maiores símbolos da saúde pública: o Zé Gotinha. Criado nos anos 1980 para personificar as campanhas de vacinação, o personagem se tornou ícone da confiança nas vacinas e símbolo de um país que, por décadas, foi referência mundial em imunização.
Atualmente, apesar da ampla oferta, a cobertura vacinal está em baixa. Dados do Ministério da Saúde e de estudos recentes mostram que a média nacional de cobertura contra pólio entre 2013 e 2022 foi de apenas 75,7%, muito abaixo da meta de 95% necessária para proteger toda a população infantil.
Em 2025, a cobertura vacinal contra a poliomielite no Brasil alcançou 80% em menores de um ano de idade, segundo dados do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Apesar de representar um avanço em relação aos índices anteriores, que mostrava uma média de 75% entre os anos de 2013 e 2022, o número ainda está abaixo da meta de 95% necessária para proteger toda a população infantil e as autoridades urgem pela vacinação no tempo correto. “É ilusório pensar que estamos protegidos se apenas parte das crianças é vacinada”, reforça Luiza Helena. “O vírus não reconhece fronteiras: basta uma queda de vigilância e o surto pode começar atingindo justamente os mais vulneráveis.”
Vacinas seguras e modernas
No Brasil, o esquema vacinal contra a poliomielite no sistema público de saúde passou a ser exclusivo com vacina inativada poliomielite (VIP), sendo administradas três doses de VIP aos 2, 4 e 6 meses de idade e um reforço com o referido imunobiológico aos 15 meses.
Na rede privada também estão disponíveis vacinas combinadas, como a versão hexavalente acelular, que incluem proteção contra a pólio, difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e Haemophilus influenzae tipo b.
Mais do que uma data no calendário, o Dia Mundial de Combate à Pólio é um chamado à responsabilidade de cada família. Vacinar é um ato de proteção, mas também de amor e de memória para manter viva a conquista de um país que já provou que a mobilização coletiva faz a diferença.
*Informações Assessoria de Imprensa









