
A insuficiência venosa crônica, condição que pode evoluir para varizes, é um problema frequente na população adulta. Estudo clássico realizado em Botucatu (SP), publicado no International Journal of Epidemiology, apontou prevalência de 47,6% de algum grau da doença em adultos avaliados. Mais recentemente, a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) passou a adotar como referência a estimativa de 38% da população brasileira, sendo 30% entre homens e 45% entre mulheres.
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Para a cirurgiã vascular Camila Kill, mestre em cirurgia pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e CEO da rede de clínicas Vascularte, a herança genética é um dos fatores mais determinantes para o desenvolvimento precoce da doença. “Filhos e netos de pessoas com varizes têm risco elevado e devem observar sinais como sensação de peso, queimação, cansaço e câimbras noturnas, mesmo que não haja veias aparentes”.
A médica alerta que esperar por alterações visíveis é um erro comum. “Há pacientes jovens com pernas aparentemente saudáveis, mas já com refluxo venoso avançado detectado no ecodoppler. Quanto mais cedo o rastreamento é feito, menores os riscos e mais simples é o tratamento”, complementa.
Segundo a especialista, o histórico familiar potencializa os efeitos de hábitos nocivos, como sedentarismo, longos períodos sentado ou em pé e uso de anticoncepcionais hormonais. Esses fatores aceleram a evolução da insuficiência venosa e podem resultar em complicações graves, como trombose e úlceras.
Entre as medidas preventivas estão o uso de meias de compressão em atividades prolongadas, prática regular de exercícios físicos, hidratação constante e consultas periódicas. “O cuidado vascular não deve ser adiado. Quanto antes o paciente entender que herança genética é um dado clínico relevante, maiores as chances de evitar intervenções complexas no futuro”, reforça Camila.
A Vascularte, fundada por Camila Kill e pelo cirurgião plástico Christian Ferreira, aposta em técnicas minimamente invasivas como o endolaser, que substitui a cirurgia convencional, dispensa cortes e internação e permite recuperação rápida. A rede tem atraído pacientes com histórico familiar de varizes justamente por oferecer tratamento ambulatorial desde casos iniciais até quadros mais avançados. Hoje conta com três unidades no Brasil e prevê expansão nacional até 2026.
De acordo com Camila Kill, existem cinco cuidados para quem tem histórico familiar:
- Exames preventivos – Realizar ecodoppler regularmente, mesmo sem sinais aparentes, para identificar refluxo venoso precoce.
- Meias de compressão – Utilizar em atividades prolongadas em pé ou sentado, auxiliando no retorno venoso.
- Atividade física – Caminhadas, corridas leves e musculação fortalecem a panturrilha e melhoram a circulação.
- Hidratação – Beber água ao longo do dia preserva a elasticidade dos vasos e evita espessamento do sangue.
- Atenção a sinais sutis – Queimação, câimbras, coceira ou alterações discretas na cor da pele merecem avaliação médica.
“O histórico familiar é um alerta que não pode ser ignorado. Quem já convive com casos de varizes na família deve compreender que a prevenção começa antes dos sintomas visíveis. O cuidado precoce garante mais qualidade de vida e evita complicações que podem ser graves”, conclui a cirurgiã vascular.
*Informações Assessoria de Imprensa







