Dia do Combate ao Fumo: SUS gasta, por ano, R$ 125 bilhões para tratamento de doenças derivadas do vício

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(Foto: Freepik)

No Brasil, em 29 de agosto, é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo, data estabelecida em 1986 por meio da legislação nº 7488. A data tem como proposta sensibilizar e engajar a sociedade acerca dos perigos gerados pelo consumo de cigarro e produtos derivados do tabaco.Promovem-se campanhas de informação, eventos de sensibilização e divulgação com a intenção de conscientizar a população sobre os riscos causados pela prática.

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O tabaco tem um impacto significativo na saúde da população. Anualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) despende cerca de R$125 bilhões para tratamento de doenças derivadas da droga, principalmente cancerígenas. Com base em dados do Progress Hub, 12,6% da população adulta do Brasil fuma, 7 pontos percentuais a menos que a média global. O tabagismo é mais prevalente entre os homens brasileiros (15,9%) em comparação com as mulheres brasileiras (9,6%).

A Organização Internacional do Trabalho calcula que, pelo menos, 200 mil trabalhadores morrem a cada ano devido à exposição à fumaça ambiental do tabaco no trabalho. Trabalhadores não fumantes expostos ao fumo durante o cumprimento da  jornada laboral consomem involuntariamente de quatro a dez cigarros.

No entanto, tudo indica que, nesse meio tempo, outro índice aumentou, fruto da popularização dos cigarros eletrônicos. Um levantamento do Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria) mostrou que nos últimos seis anos, o aumento do uso de “pods” ou “vapes” foi de 600%. A pesquisa aponta quase três milhões de adultos usuários do cigarro eletrônico no Brasil.

Dentro das empresas, as leis da CLT não permitem que o funcionário seja demitido por motivos relacionados ao vício, porém também não há nada que obrigue o contratante a incentivá-lo. O documento, porém, torna obrigatório que, em jornadas que excedam seis horas de trabalho, sejam feitas pausas de uma ou duas horas, enquanto que em jornadas de no mínimo quatro horas são exigidos intervalos de 15 minutos.

Alex Araújo, CEO da 4Life Prime – líder no segmento de saúde ocupacional, defende que, em casos como esses, o bom senso e a empatia devem estar acima da legislação: “É crucial que as organizações compreendam que o tabagismo constitui um vício, e impor restrições aos funcionários poderia resultar em uma diminuição de produtividade. Assim, mesmo que a pausa prevista na CLT seja apenas uma, a abordagem a ser considerada baseia-se em enxergar as necessidades do colaborador: oferecer auxílio e encorajar gradualmente a reduzir os intervalos destinados ao consumo de tabaco, enquanto simultaneamente se estabelece um conjunto de diretrizes internas da empresa, a fim de uma transição suave e eficaz em direção a um ambiente mais saudável e produtivo para todos os colaboradores”.

Uma das soluções mais acessíveis que algumas empresas no Brasil já adotaram é reservar espaços para servirem como “fumódromo”. Isso permite um acolhimento aos funcionários que apresentam essa necessidade. Desta maneira, evitam-se quedas de produtividade. Porém, quando a intenção é combater o vício em si, outras medidas precisam ser tomadas em conjunto.

Para o especialista, as iniciativas internas dos ambientes de trabalho são fundamentais para proporcionar uma mudança de hábitos aos funcionários: “O ideal seria oferecer campanhas e palestras gratuitas voltadas para a conscientização dos malefícios do tabaco, mas principalmente com a sugestão de hábitos eficazes que podem ser adotados no dia a dia do fumante para que, aos poucos, o vício seja abandonado. O objetivo não pode se manifestar por meio da imposição, mas, sim, de um olhar humanizado e da disposição em ajudar de maneira espontânea”, destaca Alex.

*Informações Assessoria de Imprensa