Pandemia silenciosa, obesidade requer tratamento contínuo e multidisciplinar

Dia 4 de março é o Dia Mundial da Obesidade. “Cuidar de todas as formas” foi o tema escolhido este ano para levar ao público informações sobre essa doença que merece respeito e cuidado. A campanha deste ano tem como tema “Cuidar de todas as formas“, e é promovida pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO) e Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Devido à pandemia, as ações de conscientização serão todas online, com lives e outras atividades.

As entidades também lançaram o Manifesto: Cuidar de Todas as Formas, um e-book que pode ser baixado gratuitamente. “Esse material será lançado junto com a nossa campanha do Dia Mundial da Obesidade, a #CuidarDeTodasAsFormas, que tem o apoio da World Obesity Federation. A data tem como objetivo aumentar a conscientização sobre a doença, melhorar políticas públicas de saúde e compartilhar boas experiências e práticas em todo o mundo. Ao contrário do que muita gente pensa, as pessoas não podem ser totalmente responsabilizadas por terem obesidade. Afinal, estamos falando de uma doença crônica e multifatorial, que não existe uma solução simples e fácil. Até porque ela envolve aspectos genéticos, neuroquímicos, ambientais e psicossociais. Não bastasse isso, a pandemia e a necessidade de isolamento social aumentaram a vulnerabilidade dessas pessoas. Tanto que muitos pioraram a qualidade da alimentação e ganharam peso. E, já sabemos que a obesidade é um importante fator de risco para formas graves de Covid-19”, explica Cintia Cercato, presidente da ABESO.

Outros dois e-books gratuitos também serão lançados: um com foco na prevenção da obesidade infantil, com receitas e dicas para montar lancheiras saudáveis; e outro com truques culinários de chefs famosos do Brasil, para mostrar que cozinhar de forma saudável em casa pode ser fácil, rápido e prático.

Para a endocrinologista e presidente da SBEM-PR, Maria Augusta Karas Zella, além da pandemia do coronavírus, há uma pandemia por vezes silenciosa, e que muitos ainda não tratam como doença grave. “A obesidade é uma doença crônica e precisa de tratamento. Infelizmente, a pandemia do novo coronavírus nos trouxe um cenário preocupante: o vírus parou o mundo, empresas, famílias, e claro, as pessoas. A pandemia agravou o ambiente obesogênico que vivemos há muitos anos”, comentou a endócrino.

Leia também – Obesidade atinge 20% da população brasileira

Leia também – Obesidade: um problema de saúde pública

Em 2013, a Associação Médica Americana (AMA), a maior entidade do gênero dos Estados Unidos e uma das mais influentes do mundo, reconheceu a obesidade como uma doença crônica e complexa que requer atenção médica e que também favorece o surgimento de outras doenças.

Obesidade e Covid-19

Pessoas com obesidade correm mais risco de desenvolver as formas graves da Covid-19, justamente pelo estado de inflamação causado pela própria obesidade no organismo, bem como a presença de outros fatores de risco, como diabetes e doenças cardíacas, entre outros.

Para Maria Augusta, é preciso conscientizar a população de que a prevenção da obesidade começa com pequenas atitudes no nosso dia a dia. “Não existe obeso saudável. Para combater a obesidade, temos que fazer o combate ao sedentarismo, estar sempre ativos e associar um plano alimentar saudável. Infelizmente, a pandemia do novo coronavírus nos trouxe um cenário preocupante, onde mais pessoas estão paradas, sem a prática nenhuma de atividade física. Mesmo assim, precisamos nos esforçar com pequenas ações no dia a dia. Trocar o carro pela bicicleta, fazer mais caminhada – sempre com máscara e mantendo o distanciamento social, ficar menos nas ‘telas’, e ter maior consciência nas escolhas dos alimentos, ou seja, pequenas mudanças diárias que ajudam e muito no combate à doença. Desembalar menos, descascar mais”, ressaltou.

Leia também – Obesidade e diabetes: fatores de risco para Covid-19

Causas da obesidade

O excesso de peso pode estar ligado à genética, à má alimentação ou, por exemplo, a disfunções endócrinas. Por isso, antes de qualquer método para a perda de peso, é importante consultar um médico endocrinologista. “A consulta médica é fundamental para que o tratamento seja individualizado com a segurança necessária A obesidade pode se apresentar de muitas formas. Cada paciente carrega consigo um conjunto de diferentes fatores que promovem o ganho e dificultam a perda de peso. Sabemos também que a resposta de cada paciente a diferentes formas de tratamento é muito variável: alguns respondem bem à dieta e atividade física e outros não. Para cada medicamento (e até para a cirurgia) também são esperadas diferentes respostas quanto à perda de peso, e prever a reação de cada indivíduo não é uma tarefa fácil”, acrescentou a especialista.

O tratamento de maior eficácia se faz com equipe multidisciplinar incluindo, além do médico endocrinologista, o educador físico, psicólogo e o nutricionista.

Consequências

A obesidade é uma doença que merece ser tratada com respeito por estar frequentemente associada a outras doenças crônicas, como o diabetes, a hipertensão arterial, a artrose e até alguns tipos de câncer. “Por isso”, alerta a endocrinologista, “é de fundamental importância conscientizar o paciente sobre as implicações da doença na saúde dele”.

Tratamento

O tratamento para a obesidade deve ser feito de maneira multidisciplinar, conhecendo sempre o histórico do paciente e fazendo as mudanças necessárias na rotina dele. Segundo Maria Augusta, a obesidade não tem uma única causa e também não tem um só tratamento nem cura, é uma doença crônica. Mas há diversos pontos que podem ser modificados, a começar pela alimentação. “É preciso resgatar a amizade com o alimento, dando tempo, atenção e a devida importância que ele tem. Menos tela para as crianças, mais brincadeiras ao ar livre. Vida é movimento”, resumiu a especialista.

Leia também – Obesidade: “o preço é bastante alto”

Leia também – Especialistas alertam para a obesidade infantil