Contexto:
A radioterapia (RT) é considerada curativa para a maioria dos pacientes com linfoma dos anexos orbitários indolente (IOAL) unilateral. Entretanto, alguns estudos sugerem resultados menos favoráveis em casos bilaterais, o que gera incerteza sobre o manejo. Este estudo, multicêntrico e retrospectivo, avaliou os desfechos de longo prazo de pacientes com IOAL bilateral tratados exclusivamente com RT.
Métodos:
Foram incluídos 184 pacientes com IOAL bilateral síncrônicos (diagnóstico em até 90 dias em ambos os olhos) ou metacrônicos, sem histórico prévio de linfoma. Todos receberam RT em ambas as órbitas. Foram avaliadas sobrevida global (SG), sobrevida livre de falha (SLF), controle local, controle à distância e toxicidade. O estudo seguiu os requisitos dos comitês de ética locais.
Resultados:
- Pacientes: 184 tratados em 16 centros; mediana de idade de 51 anos (15–91 anos).
- Histologia: 92% apresentavam linfoma de zona marginal.
- Localização: conjuntiva em 72% das órbitas.
- Dose de RT: 4 Gy (11%), 20–26 Gy (59%), 27–30,6 Gy (24%), >30,6 Gy (6,5%).
- Volume irradiado: órbita inteira (44%), conjuntiva isolada (48%), parte da órbita (8%).
- Seguimento: mediana de 5,7 anos.
- Sobrevida em 10 anos:
- SG: 99%
- SLF: 72%
- Controle local: 87%
- Controle à distância: 81%
- Pacientes com doença apenas conjuntival tiveram melhores resultados (SLF de 85% em 10 anos) comparados aos com doença em outras regiões (50%).
- Toxicidade tardia: olho seco em 42% (maioria G1) e catarata em 27%.
Conclusões:
Nesta ampla experiência multicêntrica, pacientes com IOAL bilateral tratados apenas com RT apresentaram resultados semelhantes aos de séries históricas de doença unilateral. Os achados reforçam que o IOAL bilateral pode ser tratado como doença localizada, com intenção curativa por meio da radioterapia.
Link de acesso à publicação: https://www.redjournal.org/article/S0360-3016(25)00241-X/abstract
Andre Gouveia, MD
Clinical Assistant…










