
O tratamento do câncer de reto localmente avançado na população idosa frágil não possui guidelines internacionais padronizados. Neste contexto, a radioterapia short-course (SCRT) seguido de cirurgia tardia surge como uma opção terapêutica promissora para esses pacientes, oferecendo benefícios potenciais em termos de menor tempo de tratamento, toxicidade e conveniência.
O estudo retrospectivo e multicêntrico SOFT avaliou 141 pacientes com diagnóstico de adenocarcinoma de reto, com idade ≥70 anos (idade média 79 anos), não elegíveis para quimioterapia e com estádio clínico localmente avançado (EC II-III). Todos foram submetidos a SCRT (25Gy em 5 frações) seguido de cirurgia tardia (após mínimo de 6 semanas do término da RT).
Em 61.7 % dos casos foi obtido down staging, com resposta radiológica completa após RT e pré cirurgia em 7.1 % dos pacientes e 54.6 % dos pacientes apresentando reposta parcial. Ressecção R0 (margens negativas) foi obtida em 93.6 %, destes 5.7 % com resposta patológica completa.
Com um seguimento de 70.5 meses, a sobrevida livre de recidiva, sobrevida global e sobrevida câncer específica encontradas foram 31.5, 40.5 e 41.5 meses respectivamente. Resultados satisfatórios para uma população frágil e múltiplas comorbidades. Em termos de segurança, 23,4% dos pacientes tiveram complicações pós-operatórias, (comparável à literatura), com uma taxa de 2.8 % de mortalidade (4 pacientes).
A cirurgia tardia também contribuiu para a redução do risco de complicações sépticas.
Apesar da limitação do desenho retrospectivo, o estudo conclui que a SCRT seguida de cirurgia tardia é uma estratégia terapêutica viável, eficaz e segura para pacientes idosos e frágeis com câncer de reto localmente avançado, oferecendo resultados oncológicos semelhantes à terapia de curso longo concomitante a quimioterapia.
Mais ensaios clínicos randomizados são necessários para confirmar a segurança e…










